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A máquina de triturar líderes

O Partido Social Democrata tem uma tendência absolutamente autofágica para destruir e triturar líderes, alguns ainda antes de o serem. Aconteceu, recentemente, com a eleição de Rui Rio como líder nacional do partido. Concorde-se ou não, tenha-se apoiado ou não e, apesar das legítimas críticas a que foi submetido pela escolha de Elina Fraga e posteriormente de Barreiras Duarte, é o líder eleito e deveria merecer o apoio das estruturas partidárias. Não o teve, por exemplo, do grupo parlamentar, nem sequer daqueles que ao mais alto nível se poderiam distanciar porque discordam, tendo feito questão de afirmar a sua posição, numa atitude de desafio para uns e de coragem política para outros.

Apesar de esta situação não ser exclusiva do PSD – todos os partidos têm estas lutas internas – o partido, em prol do alegado “debate democrático” tem a vertigem de se expor internamente, coisa que não acontece noutros partidos que depois de lutas duras dão o espaço para que as lideranças façam o seu trabalho. Pior ainda é a tendência vigente de quem exerce cargos políticos. Mesmo que se trate de um humilde vogal de uma comissão política concelhia que assuma ruturas, posições diferentes e criticas às tomadas pelo órgão que aceitou fazer parte. O que a maioria não parece querer perceber é que a “liberdade de expressão” e de opinião, que muitos falam de peito cheio, não se coadunam com o dever de lealdade e solidariedade para com os órgãos a que se pertence. Quem o não quer aceitar tem bom remédio. Fica fora.

De fora da atual comissão política do PSD Felgueiras ficaram também quase todos aqueles que no passado recente estiveram envolvidos, de forma mais próxima, com as duas comissões políticas que levaram o PSD ao poder na autarquia de Felgueiras e à derrota nas últimas eleições, incluindo os vereadores eleitos, que apenas têm um lugar por inerência na comissão política. É uma estratégia, legítima, de querer afastar dos olhos dos eleitores aqueles que foram os “responsáveis” pela derrota. Felizmente o PSD Felgueiras tem bons quadros e uma nova geração que estava ansiosa para chegar ao poder e demonstrar como se faz, através dos seus conhecimentos profissionais e políticos obtidos dentro do aparelho e militância na JSD. Há uma separação total da comissão política e os membros eleitos do executivo municipal, coisa que não acontecia no passado, uma melhor capacidade comunicacional com o eleitorado, que foi deficiente no passado, uma defesa pública das posições dos vereadores e comissão política em todos os locais incluindo as redes sociais que, para o bem e para o mal, são a ferramenta de excelência da comunicação queira-se ou não. Tal capacidade irá traduzir-se, tenho a certeza, em vitórias nos próximos atos eleitorais que se avizinham como as Europeias e as Legislativas.

Mas há lições das últimas eleições autárquicas que todos os partidos teimam em não querer aprender. Como se justifica que os movimentos ou candidatos independentes (com ou sem apoio partidário) tenham tido tantas vitórias por todo o país e, também, em Felgueiras?

Os eleitores estão fartos da “formatação” com que os partidos políticos, da esquerda à direita, os abordam e tratam. Os militantes que o querem ser e ficam com as fichas guardadas nas gavetas até melhor oportunidade apenas porque podem estar colados a uma ala partidária. Aqueles que querem ser ouvidos e ter os seus problemas resolvidos, mas que apenas são lembrados (ouvidos porque a resolução fica para depois) nas eleições, nunca se vão rever num projeto político tradicional numas eleições autárquicas. As pessoas estão fartas de ouvir a oposição ou o poder dizerem que tal situação não obedece a esta ou aquela formalidade para que tenham o caminho arranjado, água à porta, ou que lhes deem uma mera explicação. O que interessa a qualquer cidadão é que o problema se resolva e, se não for agora quando vai ser. Ninguém quer saber que para isso se tenha que cumprir com um não sei quantos procedimentos legais. Se não é agora, quando vai ser? É a única questão que importa. Não estou com isto a querer passar a ideia que os procedimentos legais não devem ser cumpridos, bem pelo contrário! Devem e têm que ser cumpridos!

Mas quanto a isto foi pedida uma auditoria às contas do município e, os bons ou maus princípios e critérios adotados, serão apurados.

Não poderia terminar sem parabenizar o Expresso de Felgueiras, especialmente na pessoa do Armindo Mendes, pelos 12 anos do jornal. São doze anos em que tive o prazer de acompanhar e dar, de maneira muito humilde, o meu contributo, para um concelho mais informado e com pluraridade de opiniões. Venham mais doze!

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