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A porta!…

Definitivamente e como era expectável, os principais rostos dos elencos que integrarão as listas que se apresentarão a votos nas próximas autárquicas começam a ser conhecidos depois de processos mais ou menos longos de negociações, de ponderação de alternativas, de aceitação, e de reconhecimento pelas estruturas partidárias. Tal como era esperado também, quer por parte do Partido Socialista/Felgueiras, quer por parte do agora seu candidato Pedro Araújo (que claramente necessitava de uma estrutura partidária para ter condições de liderar uma lista com potencial de vitória), não existiu nenhuma surpresa na sua nomeação como candidato a Presidente de Câmara do principal partido da oposição, partido que está afastado da governação da autarquia em Felgueiras há 3 mandatos, e que num momento de turbulência, de grave crise no PSD liderado pelo Dr. Inácio Ribeiro, acalenta uma esperança maior em poder retomar a senda das vitórias nas eleições autárquicas deste ano, a realizar certamente no final do Verão ou início do Outono.

Contudo, apesar da crise que deixou de ser latente e é real na estrutura do PSD e na maioria do Executivo Municipal, convém ter também a clarividência necessária, e este é o meu entendimento, para ver que a porta que alguns teimam em assumir como escancarada para uma eventual discussão da vitória, tem afinal uma “frincha” pequena, e será preciso de facto a constituição de uma alternativa credível para lutar pelo resultado. E sejamos claros, uma alternativa credível para a liderança do concelho não reside apenas no líder, nem no projeto político e de desenvolvimento do concelho, mas também na composição das listas aos vários órgãos autárquicos, com especial relevância nas estruturas à Câmara e às Juntas e Uniões de Freguesia, sem descurar o papel que a Assembleia Municipal terá no próximo mandato a exemplo do que já aconteceu neste. Reconhecidamente a Assembleia Municipal foi local onde se travou combate político, onde existiu discussão de ideias e alternativas, onde se questionaram as políticas que teimosamente foram seguidas pelo Dr. Inácio Ribeiro, e que se traduzem infelizmente para os felgueirenses num concelho adiado: adiado nas realizações e na estratégia de desenvolvimento de médio e longo prazo. Aliás, no mandato que termina este ano, uma das pechas da maioria PSD foi o de não ter “recheado” com valores importantes a sua bancada parlamentar para uma defesa sustentada e estrategicamente forte do Executivo, e que obriga o experiente e abnegado líder Joaquim Ribeiro a assumir todas as despesas da bancada. O que para uma força política que está no Poder não é politicamente recomendável.

Mas a verdade é que também existem por estes dias vários (Eduardo Teixeira, Graça Meireles, Vitor Vasconcelos) que criticam ferozmente e com toda a razão várias políticas implementadas pelo Dr. Inácio Ribeiro, só que enquanto estiveram em representação do PSD seguiram fielmente a posição de voto partidária. Será que pelo menos usaram a sua capacidade de influência para tentar alterar as políticas e decisões do Presidente de Câmara? Mesmo os presidentes de junta, que infelizmente continuam amarrados ao exercício de um mandato com poder de voto enquanto deputados na Assembleia Municipal por inerência das funções presidenciais nas freguesias e uniões de freguesia, e que estão continuamente limitados na defesa das suas posições e nas suas legítimas reivindicações para as suas freguesias pela disciplina partidária que têm inevitavelmente que seguir.

Infelizmente, e devido a este momento de preparação das candidaturas para as autárquicas, tem passado ao lado da discussão a iniciativa do Governo de transferência de competências para as Câmaras Municipais. Esta iniciativa terá um grande impacto na abrangência de competências que as autarquias terão a seu cargo, mas também e principalmente na vida das pessoas, em áreas fundamentais/vitais como por exemplo a educação, a saúde… Além da incontornável questão da capacidade/”envelope” financeiro que terá que ser associado às competências que serão transferidas, a capacidade das autarquias para assumir as competências (ao nível de recursos humanos e materiais) é uma matéria da maior relevância e que deve merecer grande atenção e análise de impacto por parte dos atores políticos, do poder e da oposição, pelas repercussões que terá na vida municipal e dos munícipes… Pena estar a passar ao lado, sem grande foco!…

… Foco e urbanidade é aquilo que os principais intervenientes na discussão política e na disputa eleitoral terão que ter, mesmo que ainda venhamos a assistir a mais bater de porta como aqueles que já se assistiram no PSD…

… Mas é bem verdade o ditado que diz que a porta é a serventia da casa! Permite a entrada, mas também a saída!

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