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Acreditar numa mentira?

Por estes dias veio uma candidatura política colocar um outdoor afirmando que foram gastos 350 milhões de euros, em 8 anos, pela câmara.

Aquando da apresentação do candidato para a câmara pela coligação Livre / PS (sim, o PS foi relegado para segundo plano), “Sim, Acredita”, afirmou que eram 400 milhões de euros. Afinal são 400 milhões ou 350 milhões? Talvez pela altura das eleições, a tirar 50 milhões por semana, cheguem a um valor aproximado.

Perante esta afirmação é importante repor a verdade. O valor da despesa da câmara é visto nas Contas de Gerência, aprovadas em reunião de Câmara e em Assembleia Municipal sendo por isso públicas e por isso mesmo o candidato Nuno Fonseca tem como obrigação saber ler e interpretar os documentos básicos de gestão do Município. Desde 2010 (já que as contas de 2009 ainda se reportavam a um orçamento realizado e executado pelo anterior executivo), a soma da despesa dá cerca de 240 milhões de euros, ou seja, menos 110 milhões (!!!) do que aquilo que o candidato Nuno Fonseca afirma.  Já aqui estão a mentir deliberadamente. Mas continua. É que do total da despesa há uma parte que são despesas fixas (ordenados, etc.) e o restante é o valor para obras (investimento). O total do valor restante para obras é de cerca de 85 milhões de euros.

E aqui, das duas uma. Ou o candidato não sabe o que está a afirmar e não está minimamente preparado para o exercício do cargo, ou mentiu deliberadamente ao eleitorado. Não sei o que é pior. Se a falta de preparação se a mentira para quem pede que acreditem nele. Se é assim em campanha imaginem no poder.

Não se lhes ouve uma proposta diferente do que já existe ou vai avançar, e que as que fazem ou são ilegais ou impraticáveis só podendo ser afirmadas por quem nunca pensa chegar ao poder e pode prometer tudo. Dizer mal da sua terra e pedir para que as pessoas deixem de ter esperança de terem sempre o melhor, de melhorar a cada ano, a cada mandato e implorarem para acreditarem em algo que não conhecem e o que conhecem já sabem que assenta em mentiras, julgo que os felgueirenses saberão distinguir no dia das eleições.

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