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Acreditar!

O título desta crónica não está relacionado com nenhuma terapia de motivação tão em voga nos dias de hoje, mas sim com o início de um novo ciclo político em Felgueiras. Com a tomada de posse do novo Executivo e Assembleia Municipal ocorrido no transato dia 25 de outubro está concluída a instalação de todos os órgãos autárquicos (Câmara, Assembleia, Juntas e Assembleias de Freguesia), e estão criadas as condições para o início de um mandato que será sem dúvida exigente, e de elevado escrutínio pelo desempenho que cada um venha a ter. No tempo mais recente, os felgueirenses já demonstraram que estão muito atentos ao desempenho dos seus autarcas, e que quando estes falham no seu dever e missão de promover o desenvolvimento da sua terra são eleitoralmente penalizados: aconteceu com Fátima Felgueiras em 2009 e com Inácio Ribeiro agora em 2017.

O novo Presidente de Câmara Nuno Fonseca assume funções plenamente legitimado por uma maioria inequívoca e com elevado apoio popular, que primeiramente avaliou de forma negativa os últimos 4 anos do mandato do PSD (que de facto penalizou e adiou o nosso concelho), e que depois acreditou no projeto que o líder da coligação Sim, Acredita! assumiu ter. Os tempos serão exigentes, ou não fizesse parte da agenda política a descentralização de várias funções do Estado para as autarquias locais em áreas como a educação, saúde, ação social, gestão florestal, património, habitação, etc… Para assumir estas novas e desafiantes responsabilidades as autarquias terão que além do reforço financeiro, serem capazes de reunir as competências necessárias para implementar as medidas adequadas para responderem adequadamente, de forma eficaz e eficiente, assegurando inclusivé melhores níveis de intervenção nestas funções de Estado que o Poder Central tem vindo a ter.

Em Felgueiras, este mandato será ainda mais exigente pelo adiamento a que o concelho foi votado pelo Executivo liderado pelo Dr. Inácio Ribeiro em questões como: a revisão do Plano Diretor Municipal, a revitalização da rede viária, o ordenamento de áreas industriais, a gestão de resíduos industriais, a expansão da rede de saneamento, a modernização da rede de abastecimento de água, a construção do Parque da Cidade, a construção do novo Cemitério de Felgueiras, etc… Ou seja, há muito para fazer. Não quer isto dizer, que agora se vá exigir ao Presidente Nuno Fonseca e à sua equipa que faça em 4 anos aquilo que outros não foram capazes de realizar em 8, mas espera-se sem dúvida que finalmente os planos sejam finalizados e se passe à ação e concretização. E era sobre isto que esperava que falasse o novo Presidente na cerimónia de tomada de posse. No entanto, Nuno Fonseca surpreendeu, ao realizar um discurso muito direto e frontal, mas que começou com críticas (aparentemente justas) ao Executivo anterior por não ter existido uma passagem de dossiers assegurando continuidade, e terminou com críticas aos analistas políticos locais denotando porventura dificuldade de convivência com a crítica política o que poderá ser um mau sinal para o futuro. Num momento em que o Presidente deveria ter “cavalgado” e usufruído da vitória que os felgueirenses lhe entenderam dar, falar de futuro apontando já alguns caminhos, e em que teria até sido interessante falar das primeiras medidas no exercício do cargo para que foi eleito (por exemplo anunciar a revogação da Adesão à Fundação de Serralves), lançou críticas, “piscou” o olho aos Presidentes de Junta e aos funcionários municipais, mas faltou o posicionamento político do novo Executivo para o futuro.

Mas bem se pode dizer que o piscar de olho aos Presidentes de Junta para já resultou, uma vez que sem qualquer surpresa José Campos foi eleito Presidente da Assembleia Municipal com provavelmente 4 eleitos da bancada parlamentar do PSD a “roerem a corda”: apesar do PSD ter 22 membros a lista liderada pelo Dr. Rui Marinho apenas recolheu 18 votos. Nada que seja surpreendente nem novo e que resulta da atração pelo poder dos Presidentes de Junta eleitos pelos partidos da oposição, e que ironicamente momentos antes tinham assumido “cumprir com lealdade” as funções de deputado municipal. Acontece sistematicamente assim, e o PSD irá neste mandato “provar do veneno” que deu a provar a outros nos dois mandatos anteriores.

O novo Presidente do Executivo, os novos vereadores e o novo Presidente da Assembleia Municipal reunem todas as condições para terem sucesso no exercício das suas funções, e certamente que todos desejam que assim seja, pois isso significa que daqui a 4 anos Felgueiras concelho não estará adiado, apresentará um maior nível de desenvolvimento, e melhores condições e qualidade de vida. Para os felgueirenses este é o momento de acreditar, e para os novos autarcas de colocar mãos à obra!

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