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Campanha tipo “comida rápida”, mas demasiado dispendiosa!

Na campanha eleitoral temos assistido pouco à discussão de ideias e projetos, defraudando a expetativa dos que pretendiam ver esclarecidas as suas dúvidas.

O que também deve preocupar o eleitorado são os gastos exagerados que se tem observado nas várias campanhas. Sucedem-se as festas, festinhas, espetáculos musicais, pomposos jantares e churrascos em todo o lado, cujos adereços, como o som, luz, palcos, cartazes, vídeos, ecrãs gigantes, camiões barulhentos e outras “manigâncias”, que incluem dezenas de outdoors que enfeitam as rotundas, custam muito, mas mesmo muito dinheiro!!!

Percebe-se, aparentemente, que às principais candidaturas não faltarão meios financeiros para patrocinar o “folclore” das campanhas, tantos são os sinais que vamos percebendo. Os exageros são evidentes e o povo repara! Exigia-se que os políticos fossem mais espartanos!

O que importa, por vezes, é fazer barulho, numa estratégia de poluição sonorosa e visual quase intrusiva. Mas, por ser tão exagerada, é ineficiente!

Dir-se-á o mesmo – sinal dos tempos – em relação à obsessiva aposta das candidaturas nas redes sociais, bombardeando os ‘internautas’ com propaganda pouco eficaz, em que umas frases feitas dão o mote à falta de imaginação. Há, aliás, até quem lhe chame outras coisas… Para algumas candidaturas, numa ótica de “comida rápida”, fazer campanha nas redes sociais é despejar dezenas ou até centenas de fotografias e vídeos de eventos, com muitas bandeiras agitadas e caras sorridentes, nas molduras de cartão da moda, em que aparecem quase sempre os mesmos, trajados com as cores habituais, salvo raras exceções, procurando fazer crer que são parte de uma imensa multidão de apoiantes. Diremos até que, olhando para algumas fotografias, de várias campanhas, seríamos levados a crer que Felgueiras terá muitos mais habitantes e eleitores do que de facto tem. Trata-se de pura ilusão, porque bem sabemos que a maioria do eleitorado está desligada dessas lides de campanha.

E depois há as mais tradicionais idas às feiras de Felgueiras e da Lixa, locais onde as candidaturas se acotovelam para chegar aos eleitores. cada vez menos interessados na propaganda com que são confrontados. Dando razão à frase – “política a quanto obrigas” – é curioso perceber, com mais ou menos música a disfarçar, o desconforto de alguns candidatos nestas lides, obrigados a sorrir em tons amarelados a tudo e a todos, distribuindo afetos, beijos, abraços e uns quantos brindes corriqueiros. Aos eleitores, vai-se rogando, em troca, aquele votinho que tanta falta faz em democracia. “Contamos consigo”, repetem os políticos ao entregar o santinho, entenda-se a papelada onde aparece a sua cara. Pelo meio, alguns vão ouvindo aquilo que não gostam…

E depois a procissão pelas fábricas, onde os operários vão vendo passar, caravana após caravana, que vão deixando propaganda, num cortejo que, felizmente para os trabalhadores e até para os políticos, só acontece de quatro em quatro anos.

É sempre assim, de quatro em quatro anos, de norte a sul do país, os políticos saem do seu pedestal, dispensam por instantes os seus carros topos de gama, motoristas e outras prerrogativas, descem à terra e contactam a plebe. Ao povo prometem tudo e mais alguma coisa. Às vezes são sabedores que não poderão cumprir muito do que dizem e até sabem que muitos dos que os ouvem nem sequer acreditam naquela lengalenga. Mas há sempre a esperança que tenha sido possível, com aquele beijinho ou com aquela ‘selfie’, de sorriso de orelha a orelha, convencer um ou outro incauto eleitor. Se não fosse assim, os políticos deixariam de ir à feira ou à fábrica, mesmo que só o façam quando há eleições, claro!!!

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