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CELORICO DE BASTO: Secretária de Estado da Igualdade alerta: “violência no namoro é um crime”

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, considerou hoje, em Celorico de Basto, que a violência no namoro, que disse estar a crescer nos grupos mais jovens, não é apenas uma problemática, mas que se trata de um crime.

“Este é um assunto que nos preocupa imenso e temos de trabalhar isto nas escolas, nas famílias e a nossa mensagem tem de ser muito clara, isto é crime, isto não é um problema apenas, não é uma problemática, isto é crime.”, afirmou a governante.

Falando para uma plateia formada sobretudo por estudantes e professores do Agrupamento de Escolas de Celorico de Basto, Rosa Monteiro deixou alguns indicadores sobre o assunto, nomeadamente que 56% dos jovens, no âmbito de um inquérito nacional, afirmaram que já tinha sido vítimas de uma situação de violência no namoro.

Referiu ainda que 68% dos inquiridos “consideravam normais estas formas de violência, inclusivamente quando se tratava de abusos sexuais”.

“Há nas vossas escolas, nos vossos territórios, quem vos possa ajudar e, desde logo, têm de começar a conseguir reconhecer aquilo que são comportamentos abusivos, que não são positivos, não são formas de relação construtivas e positivas”, afirmou.

 

Uma semana dedicada a refletir sobre as questões da igualdade

 

A secretária de Estado falava na sessão de encerramento de uma semana de atividades em Celorico de Basto, durante a qual o tema central foi a igualdade, envolvendo a comunidade escolar e a autarquia local.

Secretária de Estado da Igualdade considera que “violência no namoro é um crime” foto teatro dos alunos 3

Rosa Monteiro, acompanhada do presidente Joaquim Mota e Silva, assistiu a alguns momentos de teatro, representados por alunos, que evidenciaram várias situações de desigualdade, sobretudo os preconceitos em relação a determinadas profissões serem desempenhadas por homens ou mulheres.

 

“A violência doméstica não é uma abstração, é um problema que persiste na nossa sociedade”

 

Rosa Monteiro felicitou a organização do evento por ser tão sensível à problemática, recordando, depois, que “a violência contra as mulheres e a violência doméstica não é uma abstração, é um problema que persiste na nossa sociedade”.

“Este ano já foram assassinadas 24 mulheres. No ano passado 27 mil mulheres vítimas de violência procuraram apoio”, recordou, lamentando que a sociedade continue “a funcionar com base nos estereótipos e nos preconceitos, numa ideia que há uma subordinação histórica, que persiste, das mulheres relativamente aos homens”.

Para a secretária de Estado, a desigualdade de género que ainda se observa “tem efeitos muito negativos na persistência dos fenómenos de violência, mas também no indicador muito objetivo que é o facto de as mulheres ganharem cerca de 20% menos que homens, para trabalho igual”.

O combate ao problema tem sido feito, acentuou, sobretudo na área da formação das mentalidades: “A nossa grande aposta foi, de facto, na educação das novas gerações. No ano passado, criámos um projeto-piloto, no âmbito da autonomia e flexibilidade curricular, para desenvolvimento da disciplina cidadania e desenvolvimento, que este ano se estendeu a todas as escolas do país”.

A representante do Governo mostrou-se, por outro lado, preocupada com o facto de as mulheres terem uma participação reduzida em áreas profissionais ligadas às tecnologias e às engenharias, apesar de constituírem no presente e no futuro setores com grandes oportunidades de emprego.

“Começa a preocupar, quer as instituições de política a nível internacional, quer as empresas que sentem a falta de talentos e recursos humanos especializados nestes domínios”, acentuou. Referiu a propósito, que a fuga das raparigas às áreas tecnológicas começa logo no terceiro ciclo e no secundário.

Por isso, disse, foi criado com o Instituo Superior Técnico e três grandes empresas tecnológicas um projeto que visava combater a ideia de que essas áreas não são para as mulheres, através de sensibilização nas escolas.

O projeto, anotou, foi um sucesso, e este ano já conta com 35 agrupamentos de escolas, 20 grandes empresas e 10 universidades.

 

Autarca exortou jovens a combater os preconceitos

 

O presidente da Câmara de Celorico de Basto, Joaquim Mota e Silva, deu os parabéns à comunidade escolar pela atividade realizada ao longo da semana e exortou os jovens a combater a “sociedade estereotipada” e os preconceitos, recordando que “todos têm direito a ser diferentes”, porque “o mundo é feito de diversidade”.

Secretária de Estado da Igualdade considera que “violência no namoro é um crime” Joaquim Mota e Silva 2

 

“A luta pela cidadania vai continuar para abrir mentalidades e mexer na consciência das pessoas desde tenra idade”, acentuou, referindo que em Celorico de Basto esse trabalho tem envolvido a autarquia, as escolas e as instituições.

 

 

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