Está em
Início > Destaque > Contas de “discórdia”!…

Contas de “discórdia”!…

São conhecidas as minhas críticas (http://www.expressofelgueiras.com/author/haquintela/) à estratégia política que o Executivo do PSD seguiu e que condenou o município de Felgueiras ao adiamento em assuntos estratégicos: o adiamento da revisão – fundamental – do Plano Diretor Municipal, o adiamento de obras fundamentais como é exemplo o novo e fundamental Cemitério Municipal; o adiamento da organização do tecido empresarial. Mas críticas que teci não só à inação mas também à opção como os orçamentos do PSD foram financiados, com um grande peso na receita total dos impostos municipais sobre os cidadãos/famílias e sobre a atividade económica das empresas. Aliás estas opiniões foram também percepcionadas pela maioria dos eleitores que no dia 1 de outubro de 2017 decidiram que a mudança era essencial para alterar o rumo da gestão do município. Para ser intelectualmente honesto, neste primeiro Orçamento Municipal de Nuno Fonseca e do seu Executivo Sim, Acredita! não existiu nenhum sinal (por mais pequeno que fosse) de ruptura com o passado: manteve-se a carga fiscal sobre as famílias e sobre as empresas com um peso percentual maior uma vez que o valor total do orçamento é mais pequeno (menos 5,6 milhões de euros numa aproximação à realidade que deve ser aplaudida), e com um aparente “desinvestimento” por exemplo na construção do Cemitério Municipal de Felgueiras, cuja verba para aquisição de terrenos foi disponibilizada no empréstimo que foi contraído no mandato anterior mas que aparentemente perdeu incompreensivelmente importância para este novo executivo.

Mas dos vários pecados que o PSD cometeu ao longo do último mandato que adiaram o desenvolvimento do município nunca foi sinalizado que as contas da autarquia pudessem estar frágeis, e só já com Nuno Fonseca como Presidente de Câmara foi por ele identificada uma preocupação muito séria com a situação económico-financeira do município de Felgueiras que ?estaria/está? a colocar entraves muito sérios ao funcionamento da autarquia e de entidades que dela dependem (verdade ou consequência contingencialmente aproveitada?). Esta posição foi energicamente e prontamente rebatida pelos atuais vereadores do PSD no Executivo e pelos seus eleitos na Assembleia Municipal que fizeram inclusivamente aprovar uma proposta de recomendação de realização de uma auditoria independente às contas da Câmara Municipal de Felgueiras para esclarecimento cabal – que incompreensivelmente não foi aprovada por unanimidade porque vários elementos da coligação Sim, Acredita!, incluindo alguns destacados membros votaram contra esta proposta -, mas que ainda não se sabe se será efetivamente realizada pois o atual Presidente de Câmara vai assumindo uma postura dúbia – motivadora de várias interpretações -, dizendo que tem vontade que a auditoria se faça mas que existe um potencial constrangimento relacionado com a verba necessária para que seja feita. Tal como já disse, politicamente não existe em minha opinião outro caminho que não seja a sua realização para que para todos a situação económico-financeira seja clara e transparente para todos os munícipes. Mas o tempo adequado para que seja feita começa a estar ultrapassado pela “contaminação” natural das decisões do executivo em funções.

Sobre este tema, defendo que a cada novo ciclo de gestão autárquica deveria/deverá ser realizada uma auditoria para sinalização do estado inicial, para sinalização do ponto de partida do novo executivo, para que no final existam elementos de avaliação objetivos, claros e inequívocos da gestão política municipal. E tenho para mim que o valor a pagar por esta auditoria não comprometerá ou agravará o estado das contas municipais…

Acredito que esta “novela” e troca de acusações não poderá continuar, mas recentemente surgiram dados novos dados apresentados pelos vereadores do PSD, produzidos por fontes oficiais, que identificam fundos disponíveis em janeiro/2018 de quase 19 milhões de euros (http://www.expressofelgueiras.com/psdfelgueiras-critica-gestao-de-nuno-fonseca-e-diz-que-camara-tem-19-me-de-fundos/ ). Além disto é público um documento ofical assinado pelo punho do Presidente de Câmara Nuno Fonseca em que este “declara que não existem pagamentos em atraso em 31 de dezembro de 2017” (http://www.expressofelgueiras.com/nuno-fonseca-admitiu-que-camara-nao-tinha-pagamentos-em-atraso-no-final-de-2017/).

Torna-se de facto necessário esclarecer cabalmente o assunto estado das contas do município, e isso só será possível com a realização urgente de uma auditoria realizada por uma entidade independente e acompanhada por elementos dos partidos representados no Executivo e na Assembleia Municipal. Qualquer outra atitude ou inação será muito mal entendida!

Top