(Des)informação!…

Os intervenientes na política não devem alimentar meias verdades, ou meias mentiras como queiram entender, nem induzir interpretações dúbias com o objetivo claro de passar apenas a parte que lhes aproveita, ludibriando de forma premeditada a consciência dos cidadãos. Os atores políticos devem ser defensores da transparência em toda a sua abrangência e não nas nuances interpretativas que os beneficiam.

Vem isto a propósito do terceiro erro cometido pela estrutura responsável pelo Governo Municipal em Felgueiras que em três momentos não esclareceu cabalmente a população, contando-lhes apenas uma parte ou a sua interpretação da “estória”, tentando que fossem “evangelizadoras”. Senão vejamos…

Em novembro de 2017, pouco tempo depois da eleição, Nuno Fonseca mostrou-se preocupado e “informou” a população de que estava preocupado com a situação das contas da autarquia, que terá de ser verificada”. Em consequência, no primeiro trimestre de 2018 o Presidente de Câmara “informou a Assembleia Municipal que vai ser realizada uma auditoria externa independente às contas do município, reafirmando estar preocupado com a situação financeira atual”.

Como defendi na minha crónica de opinião Contas de Discórdia, concordo inteiramente com a realização de auditorias externas após cada ciclo de governação autárquica pois isto beneficia a avaliação do passado, o ponto de partida, e a comparação do progresso na gestão autárquica.

Estas declarações manifestadas pelo “novo” Presidente de Câmara criaram na população a ideia que a anterior gestão autárquica deixou as finanças da autarquia em muito mau estado, mas entretanto o que é que se veio a determinar e sobre o qual a população não veio a ser esclarecida por quem tinha o dever de o fazer?

No início do ano de 2018 Nuno Fonseca “admitiu (…) que não havia pagamentos em atraso na autarquia, o que contraria a ideia do novo chefe do executivo de que a gestão PSD tinha deixado o município numa má situação financeira.” E o que concluiu a auditoria externa?

A auditoria que analisou o período de outubro/2013 a outubro/2017 e cujos resultados foram partilhados com os deputados municipais no final do mês de abril/2019 conclui que a Câmara Municipal de Felgueiras apresenta uma situação financeira equilibrada, confirmada pelos elevados rácios de autonomia financeira (superior a 70%) e de solvabilidade, com os fundos próprios a serem quase 3 vezes superiores ao passivo. Claro que identifica vários pontos relativos a procedimentos que necessitam de ser melhorados e esclarecidos, mas relativamente às contas as conclusões são claras e estranha-se é que fazendo uso da sua reconhecida humildade o Presidente de Câmara não tenha informado a população destas conclusões, preferindo que continue a ter como referência a primeira ideia que lhes transmitiu e que veio a revelar-se errada! Mas, continuemos…

… Outro dos momentos erráticos de (des)informação à população aconteceu relativamente à divulgação dos resultados do Ranking dos Municípios elaborado pela Ordem dos Economistas.

Mas, ainda antes de analisar os resultados gostava de referir que hoje em dia existem rankings para todos os “gostos”, com base em critérios diferentes, e que mais do que uma avaliação definitiva sobre os municípios devem ser encaradas como oportunidades pois permitem identificar os pontos de melhoria e os municípios onde estão a ser seguidas melhores práticas, e estratégias bem sucedidas. Além disto, o resultado de um ranking é calculado a partir de vários critérios: no caso do Ranking elaborado pela Ordem dos Economistas em 4 grupos, e por vezes o resultado final é distorcido pelo resultado num dos grupos. E neste caso em concreto foi isso mesmo que aconteceu a Felgueiras: a 1.ª posição na região (125 a nível nacional num conjunto de 308) é enganadora e resulta do bom resultado no grupo Desenvolvimento Económico e Social com um 42.º lugar a nível nacional (embora tenha descido 12 lugares relativamente a 2016) e que é resultado principalmente da iniciativa privada. Nos 3 grupos do ranking que são resultado principalmente da gestão autárquica: Governança, Eficiência da Câmara Municipal e Sustentabilidade Financeira, o município de Felgueiras ainda tem muito caminho a percorrer, pois Lousada e Penafiel são os melhores municípios da região nestes grupos de análise do ranking. E, relativamente à Governação onde Felgueiras ocupa o lugar 134, nos 30 melhores municípios do país estão por exemplo: Cinfães, Baião, Lousada, Paços de Ferreira. Isto são factos! E da mesma forma que se deve informar os munícipes que Felgueiras a nível global conjuntamente com Penafiel são os municípios da região melhor classificados no ranking da Ordem dos Economistas, é preciso não ocultar os detalhes, embora eu entenda porque se faz…

Os atores políticos, num tempo em que as notícias falsas e a desinformação são ameaçadoras para a liberdade tanto como eram a censura em outros tempos pois o resultado final é praticamente o mesmo, têm a responsabilidade de falar verdade e sem nuances, e pugnar para que exista um ambiente aberto de discussão, de liberdade de opinião, de opinião contrária, e de oposição! Infelizmente por cá a realidade vai teimando em nos demonstrar que têm sido seguidos outros caminhos, preferindo “penalizar-se” o mensageiro!