“Dream Team autárquico!”

Deliberadamente não analisei anteriormente cada uma das candidaturas que se apresentam às próximas autárquicas, nomeadamente os candidatos ao Executivo Municipal. E para que as expectativas não sejam defraudadas, deixo já aqui manifestada a intenção de que ainda não é desta que o farei. Antes de avaliar as equipas e os integrantes das candidaturas é necessário “formalizar” os critérios de avaliação.

Na avaliação de uma candidatura, e na consequente escolha do voto por cada um dos eleitores, existem várias vertentes: uma delas é a “militância”/preferência partidária (sempre muito discutível, mas que existe e é determinante ); outra vertente importante de avaliação reside nas propostas que as candidaturas se propõem cumprir, sendo que aqui mais do que medidas avulsas, e promessas “irrealizáveis”, os manifestos eleitorais devem ser capazes de integrar medidas enquadradas num modelo e programa de desenvolvimento para o concelho! Por exemplo, de que serve querer atrair grandes eventos para o concelho, se não existe capacidade hoteleira para receber e “fixar” os visitantes, e gerar retorno do investimento? Pensar apenas na promoção é curto e pode até ser considerado “esbanjador” de recursos financeiros. E por último existe a vertente dos candidatos: não a avaliação pessoal e individual, mas do conhecimento, da competência e da experiência (não experiência autárquica, mas sim experiência de vida e profissional) nas várias áreas de conhecimento de que um Executivo Municipal deve ser composto.

Aos candidatos a vereadores não chega apenas interesse (interesse em servir a causa pública e nenhum outro), querer, vontade e ambição, é necessário conhecimento, competência e experiência em várias áreas determinantes para a definição de modelos de desenvolvimento (a curto e médio prazo) para o concelho, mais ainda quando nos próximos anos as autarquias assumirão mais competências em áreas como a educação e a saúde, hoje na esfera de decisão do Governo Central. E experiência política?

Bem, obviamente que deve existir alguma experiência, e não sou daqueles (bem pelo contrário) que por aí vão abominando quem milita em partidos e tem experiência política, mas não “vem mal ao mundo” se existirem na listas pessoas de enorme valor profissional nas áreas de intervenção de um município sem passado na política!

No que diz respeito a conhecimento, competência e experiência, um executivo municipal deve idealmente ser composto por pessoas (homens e mulheres) que enriqueçam a equipa em áreas como liderança, gestão e finanças, recursos humanos, educação, saúde, apoio social, direito, engenharia civil, engenharia ambiental, ordenamento do território, tecnologias e sistemas de informação, proteção civil. E quando digo conhecimento não é apenas o conhecimento dos livros, é a realidade profissional, os desafios e problemas destas áreas, a experiência de atuação em campo, experiência profissional na vida real: nas empresas, nas escolas, nos centros de saúde e nos hospitais, nos tribunais, nos gabinetes.  O determinante nesta experiência é terem feito e sido capazes (reconhecidamente capazes) de intervir, de concretizar.

Obviamente, que num executivo composto por 9 elementos como o de Felgueiras, em que a maioria é conseguida com 5 não é possível uma abrangência como a que mencionei acima (seria um dream team certamente), e que algumas delas serão obviamente colmatadas pelo recurso a assessores, mas existem áreas de conhecimento e experiência profissional que no meu entendimento são essenciais para a gestão do município, para a gestão política do desenvolvimento de Felgueiras. E aquilo que não podemos ter é competências e experiências monocromáticas nos membros do Executivo Municipal, sejam elas de direito, educação ou ciências empresariais.

Dirão que chego na tarde, ao definir mais de 1 mês depois do encerramento das listas um perfil de candidatos para constituição de listas. Estão cheios de razão, pois já não poderão ser alteradas, mas a verdade é que o voto só será depositado em urna no dia 1 de outubro, e sendo certo que nas listas concorrentes nenhuma cumprirá a 100% estes requisitos, certamente será possível determinar um ranking de valor!

… Mas a avaliação dos candidatos e da competência dos candidatos é apenas uma das vertentes de avaliação!