ELEIÇÕES: Felgueirense Leonel Costa fala da sua candidatura ao Parlamento pelo PSD

O Expresso de Felgueiras entrevistou Leonel Costa, o felgueirense que integra a lista de candidatos do PSD nas eleições legislativas deste domingo.

Fique a saber o que pensa o candidato sobre o seu 17.º lugar na lista, a possibilidade de eleição, as ideias que defende para o caso de ser eleito, até onde poderá chegar o PSD em termos de resultados e o que fará em relação aos cargos que desempenha atualmente na política e no associativismo desportivo no concelho de Felgueiras.

 

EXPRESSO DE FELGUEIRAS (EF) – Antes de falarmos sobre a sua candidatura à AR, façamos um balanço das funções de deputado que desempenhou nesta legislatura. Correspondeu às suas expetativas?

LEONEL COSTA (LC) – Foi uma experiência importante a nível pessoal. Também a nível profissional, enquanto advogado, foi enriquecedor conhecer por dentro o processo legislativo.

Por outro lado, sente-se que se pode verdadeiramente fazer algo pela melhoria das condições de vida dos portugueses.

Leonel Costa candidato a deputado

No entanto, foi um sabor agridoce, uma vez que iniciei funções na fase em que havia mais polémica e descrédito público em relação aos titulares de cargos públicos. Só os próprios são culpados disso, no entanto, se as críticas serão justas para alguns, são muito injustas para muitos que dignificam verdadeiramente a função e são de facto muito produtivos.

Leonel Costa candidato a deputado2

Quanto às funções, apenas as exerci durante 10 meses. A minha atividade está disponível no site do parlamento. Desde intervenções em plenário, nas comissões parlamentares, relatórios, perguntas ao Governo, participações diversas, enfim, julgo que foram uns meses bastante produtivos. Talvez tenha sido o deputado que a mais comissões terá pertencido ao mesmo tempo. Precisamente porque sabia o pouco tempo que tinha, tentei tirar o máximo partido da oportunidade. Das várias comissões de que fiz parte, destaco aquela de que mais gostei e com a qual senti mais afinidade, a do Orçamento e Finanças. É talvez a comissão mais concorrida pelos deputados e apesar de não a ter integre desde início, consegui mais tarde ser membro efetivo da mesma, onde tive oportunidade de fazer várias intervenções, nomeadamente em plenário.

Leonel Costa deputado municipal do PSD6

Fui também um dos elementos da Comissão de Inquérito ao Furto de Tancos, que foi muito trabalhosa, mas ao mesmo tempo muito interessante, até porque a sua dinâmica de funcionamento é muito próxima da minha atividade profissional. Como membro efetivo fiz ainda parte da Comissão de Assuntos Europeus, da Comissão de Defesa Nacional e do Grupo de Trabalho de Desporto.

Não serei a pessoa mais indicada para fazer esse balanço, mas faço uma autoavaliação bastante positiva.

 

EF – Em relação a estas eleições, ficou desiludido com o lugar que lhe foi atribuído na lista de candidatos pelo Porto, algo longe de uma possível eleição?

LC – Todos gostávamos sempre de mais e achamos que merecemos melhor. No caso concreto, acho que Felgueiras merecia melhor, sobretudo pelas necessidades que precisam da atenção do Governo. Não compreendo a parte do “algo longe de uma possível eleição”, quando recentemente li neste mesmo jornal que o candidato do PS, em 29º lugar, está com boas perspetivas de ser eleito! De qualquer modo, o 17.º lugar que me foi atribuído na lista é melhor que a posição de há quatro anos. Por outro lado, é importante destacar que o PSD teve bem mais consideração por Felgueiras do que o PS, que, apesar de ser poder local, tem o seu candidato felgueirense bem mais atrás. Obviamente não estão em causa os candidatos e o seu mérito pessoal, que fique claro, apenas o interesse de Felgueiras para cada um dos partidos.

 

EF – A mudança de liderança no PSD nacional tê-lo-á prejudicado quanto ao lugar que lhe foi atribuído ou crê que terá havido outras razões?

LC – Na forma como coloca a questão, ao me dar duas alternativas, está a presumir que fui prejudicado. São processos internos e sempre complexos. Há sempre muitos candidatos para poucos lugares e os critérios a ter em conta por quem decide, que acaba por também não estar numa posição fácil, são imensos. Respondendo diretamente à sua verdadeira questão, não fui prejudicado por nada. Apenas acho que o atual sistema eleitoral não é favorável a concelhos mais pequenos e essa é uma das razões pelas quais sou a favor da criação de círculos uninominais.

 

EF – Acredita que, não obstante o lugar menos favorável, tem alguma possibilidade de vir desempenhar funções como deputado na próxima legislatura?

LC – Depois do “longe de uma possível eleição” e do “prejudicado”, fala agora de “lugar menos favorável”… Julgo que já fui respondendo a essa questão, mas posso sempre acrescentar que tudo depende do resultado de dia 6, como é óbvio. De qualquer modo, estou completamente relaxado quanto à possível eleição ou não. Não dependo da política para viver e aliás acho que o cargo de deputado não deveria ser visto sequer como uma profissão.

Leonel Costa candidato a deputado3

Mas respondendo diretamente à sua questão, devolvo a questão, em termos retóricos: se o 29º está com boas perspetivas, porque é que o 17º não deveria estar?! Claro que quando se forma governo é mais fácil ser “chamado”. Na anterior legislatura fui “chamado” mesmo sem o PSD ter formado governo, apesar de ter ganho as eleições. Na sequência do dia 6 muita coisa pode acontecer…

 

EF – Em caso afirmativo, que matérias relacionadas com o concelho e com a região que estarão no centro das suas atenções?

LC – Sobretudo a nossa atividade económica. Por um lado, no sentido de a diversificar, para deixarmos de estar dependentes da mono-indústria. E, por outro lado, julgo que o Governo deverá promover medidas ativas para combater a deslocação de encomendas para países emergentes da produção de calçado. Os apoios comunitários à modernização deverão ser reforçados, mas acredito que tem de se começar a trilhar o caminho da diferenciação do nosso produto, para termos uma qualidade que não seja fácil de ser trocada por países com mão de obra barata. Temos de deixar de competir somente em termos de preço, porque isso coloca em causa os salários do setor que de si já são baixos.

EF – Se for eleito para o Parlamento, manter-se-á como dirigente desportivo no concelho e como deputado municipal?

LC – Tal como o fui até agora. Não vejo qualquer incompatibilidade legal ou moral. Há apenas um sacrifício pessoal, mas que acho que vale a pena. No caso do Futebol Club de Felgueiras pelo enorme gosto que tenho. E, apesar dos resultados da equipa principal estarem aquém das expetativas, estamos a fazer um importante trabalho de base para o clube, o de o credibilizar e dotar de estrutura para o futuro. No caso da Assembleia Municipal, por regra há apenas cinco sessões no ano para as quais estou, como estive, sempre disponível para me deslocar e, enquanto o partido achar que sou útil, terei também muito gosto em tentar dar os meus contributos localmente, seja na Assembleia Municipal, seja no programa semanal da Rádio Felgueiras de comentário dos assuntos políticos locais.

Leonel Costa candidato a deputado5

 

EF – Em relação a esta campanha eleitoral, tem-se envolvido nas ações promovidas pelo partido, nomeadamente no concelho de Felgueiras e no resto do Tâmega e Sousa?

LC – Essencialmente no concelho de Felgueiras. Confesso que, pessoalmente, não sinto grande atratividade por ações de campanha, como andar em feiras, etc. Mas faz parte, claro. No entanto, acredito que as pessoas querem e sentem falta de uma verdadeira transmissão e debate de ideias. Cada vez menos as pessoas alinham em grandes comícios e cada vez mais fazem a sua introspeção e análise pessoal.

 

EF – Como tem sido a recetividade?

LC – Boa. Aliás, tem sido muito melhor que aquilo que as sondagens preconizavam. Mesmo os simpatizantes de outros partidos, dão credibilidade às nossas propostas e estão recetivos a ouvir-nos.

 

EF – Que mensagem está o PSD a passar nesta campanha, nomeadamente em relação aos candidatos pelo Porto?

LC – Quem passa a mensagem são precisamente os candidatos. É uma mensagem bastante positiva, de renovação e bastante qualidade. Aliás, a surpresa do cabeça de lista é sinal disso mesmo. O Hugo Carvalho é um jovem, mas com uma capacidade de intervenção excecional e com excelentes ideias para o distrito e para o país.

 

EF – Sabe-se que o PSD partiu para estas eleições muito atrás do PS. As últimas sondagens apontam, porém, para alguma recuperação social-democrata nas intenções de voto. No seu ponto de vista, até onde pode chegar o seu partido no dia 06 de outubro?

LC – O PSD, apesar de ter ganho as eleições de há quatro anos, como acabou por não conseguir formar governo, a alteração de posicionamento e as disputas internas não foram nada favoráveis para o ponto de partida para estas eleições. E, de facto, as sondagens iniciais apontavam para um resultado eventualmente catastrófico para o PSD. No entanto, a partir do momento que as pessoas começaram a ouvir as ideias do PSD e do Dr. Rui Rio para o país e, sobretudo, a forma séria com que o mesmo está na política, por contraponto à imagem de “artista” e “habilidoso” de António Costa, as pessoas voltaram de facto a olhar e ouvir o PSD.

As sondagens mais recentes apontam para uma subida nas intenções de voto, mas, não fugindo à questão, o problema é que o PSD acabou por começar tarde e não será fácil eliminar toda a distância inicial que o separava do PS. No entanto, quer pela credibilidade que o PSD tem demonstrado, quer pelo medo (expressão correta, medo) que as pessoas têm a uma maioria absoluta do PS, acredito que o PSD vai acabar por ter um resultado muito interessante e, quem sabe até, conseguir uma surpresa.