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Entendimentos!

O PSD/Felgueiras, numa atitude consequente com a sua intervenção de oposição recente, veio alertar para “o risco da degradação da Gestão Municipal” através de um comunicado de imprensa resultado de uma Assembleia de Secção que contou com a presença do novo PSD mas também de figuras ligadas à anterior geração de governação social democrata como Inácio Ribeiro. Este comunicado pode ser analisado em minha perspetiva em 4 dimensões, mas são de relevar como introdução dois pontos: qual o impacto que as posições do PSD/Felgueiras têm nos eleitores felgueirenses atendendo ao desgaste da governação que implicou a mudança de Executivo (estarão os eleitores já disponíveis para ouvir a oposição?); e, qual a razão para o Juntos Pelo Povo de Paulo Alves ter sido a única estrutura partidária a reagir a este comunicado 

Mas, quanto ao comunicado entendo que existem 4 perspetivas de análise: acusação de captura pela máquina do Partido Socialista nacional e distrital; contratos realizados na forma de ajustes diretos com consulta apenas a uma entidade; “impreparação” do Presidente Nuno Fonseca; relevância da gestão municipal do PSD no estado das contas. 

Relativamente à acusação de captura do atual executivo eleito por uma coligação PS/Livre pelo Partido Socialista, a única questão potencialmente nova que advém deste comunicado é que o PSD considera que o Executivo “Sim, Acredita!” capturou a concelhia do Partido Socialista (Miguel Faria já assumiu publicamente o seu incondicional apoio a esta solução de governação e apoio à natural recandidatura), porque quanto ao alinhamento com as estruturas distritais e nacionais do PS elas são obviamente lógicas: foi Manuel Pizarro (reconduzido como Presidente da Federação Distrital do Porto) que entre dois nomes (Nuno Fonseca e Pedro Araújo), e entre duas perspetivas (candidatura em nome próprio e coligação) escolheu, e pelos resultados acertadamente Nuno Fonseca e o apoio a uma coligação que inteligentemente não se desvirtuou perante os eleitores, escolhendo o melhor de dois mundos! 

Quanto aos contratos realizados por ajustes diretos, estes têm estado envoltos em polémica e de facto existem motivos para isso. E como já escrevi anteriormente é necessário fazer diferente ao nível da contratação de serviços para a autarquia comparativamente a experiências passadas. No entanto, o facto de isto ter sido tema do Período Antes da Ordem do Dia de uma reunião do Executivo Municipal é sublinhado da relevância e desconforto desta situação, e deve merecer por parte dos novos responsáveis pela gestão do município o maior dos cuidados e transparência na administração do que é de todos. 

A questão da alegada “impreparação” de Nuno Fonseca, penso que é algo demasiado ostensivo e pouco rigoroso. Apesar da inexperiência em cargos autárquicos, o novo Presidente da CMF tem um passado muito positivo como empresário, como líder da Associação Empresarial de Felgueiras, como líder do Conselho Empresarial do Tâmega e Sousa – até com o apoio de Inácio Ribeiro -, e por isso teremos todos que concordar que é necessário um período de adaptação à gestão da causa pública. Obviamente que temas polémicos, e mal esclarecidos, como a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) e o estados das contas do Município causaram mossa, mas ainda continuo esperançoso que sejam apresentadas razões cabalmente esclarecedoras sobre estes temas. Por exemplo, relativamente ao PDM considero fundamental o esclarecimento cabal se não existindo alterações de visão e de gestão se teria sido possível ou não concluir a revisão em fevereiro ou meados de março/2018? Como já assumi publicamente considero absolutamente legítimo que o novo Executivo de Nuno Fonseca tenha uma nova visão estratégica para a ocupação dos solos no concelho de Felgueiras, mas entendo também que aos felgueirenses é devida uma explicação sobre as razões de crítica à estratégia do executivo anterior e quais as alterações preconizadas. 

Quanto às contas do município, este acaba por ser o único ponto do comunicado em que o PSD/Felgueiras que “puxa pelos galões”. De facto perante tantos erros que foram cometidos, principalmente durante o segundo mandato do Executivo liderado por Inácio Ribeiro e que ditaram o “cartão vermelho” exibido pelo eleitores em outubro/2017, esta é uma das únicas bandeiras que pode ser explorada. Resta esperar pelos resultados da auditoria independente que Nuno Fonseca anunciou – e que deveriam ser apresentados em abril/2018 uma vez que é a altura em que as contas do município de 2017 serão analisadas -, para constatar ou então verificar um eventual “slogan” irreal… 

Certo é que a polémica prossegue, e que os silêncios já provaram ser maus companheiros de exercício da Governação Municipal!

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