Factos novos adiam acórdão de esquema financeiro ilegal em Felgueiras

O Tribunal de Penafiel voltou hoje a adiar a leitura do julgamento de um esquema financeiro ilegal que funcionou em Felgueiras, por ter havido alteração dos factos que constavam da pronúncia.

Segundo o tribunal, no decurso da audiência que se realizou nos últimos meses foram identificados novos factos que foram hoje comunicados aos defensores dos 19 arguidos, resumidos em 76 páginas, juntas ao processo.

O esquema financeiro que está a ser julgado, designado AMC Invest, funcionou em Felgueiras, de 2012 a 2014, suspeito de ter burlado mais de 600 clientes, no valor de 2,3 milhões de euros.

A maioria dos acusados responde por crimes de burla agravada e recebimento não autorizado. Os principais arguidos, um casal que atuava na zona de Barrosas, Felgueiras, responde também por crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Esquema ilegal desenvolveu atividade em Felgueiras, Lousada e Leiria

De acordo com a acusação, o esquema ilegal desenvolveu atividade em Felgueiras, Lousada e Leiria.

Face aos novos factos indicados hoje pelo tribunal, a defesa tem agora um prazo para analisá-los, findo o qual poderá ser apresentada prova relativamente aos novos elementos, o que impede, para já, a marcação de nova data para leitura do acórdão.

O tribunal determinou que a audiência de julgamento será retomada no dia 5 de fevereiro.

O juiz que preside ao julgamento informou hoje os advogados que os novos factos reportam, “resumidamente”, a uma melhor descrição da atividade da AMC Invest e uma melhor distinção entre aquela atividade e o que era feito, em concreto, pelo casal que liderava o esquema financeiro ilegal. Os novos factos indicam também uma melhor identificação dos negócios do esquema nos ramos das minas e petróleo e acrescenta clientes à lista da AMC.

Segundo a tese da acusação, pelo menos desde o início de 2012, o casal em causa iniciou “uma atividade de oferta de pretensos serviços financeiros a clientes particulares, sob a figura e o nome de AMC Invest”. O Ministério Público (MP) concluiu que o casal prometia “o pagamento de um retorno mensal entre 2,5% e 10%.

O esquema foi sendo alargado a mais colaboradores, também arguidos neste julgamento, começando por envolver alguns familiares do casal e alargando-se a outras pessoas que angariavam clientes em todo o país e realizavam outras atividades no âmbito da AMC Invest.

APM // MSP

Lusa/fim