FAFE: Antigo presidente da Câmara, José Ribeiro, demite-se do PS

O antigo presidente da Câmara de Fafe e atual presidente da Assembleia Municipal, José Ribeiro, demitiu-se do PS para evitar a sua expulsão, através de carta enviada ao secretário-geral António Costa, à qual a Lusa teve hoje acesso.

“Antecipo-me ao vosso procedimento disciplinar conducente à minha expulsão do PS, poupando-vos trabalho e perda de energias tão necessárias a preparar os atos eleitorais que se avizinham, para que não ganhem por poucochinho ou não percam, como há quatro anos, apresentando a minha demissão de militante 15488”, lê-se no documento.

Recordando o seu percurso de militância, nomeadamente os 20 anos de presidência da autarquia, José Ribeiro escreveu ainda: “Não suporto mais tanta indignidade, tanto desrespeito e tanta desconsideração!”.

O processão disciplinar a que José Ribeiro se refere decorre do facto de, apesar da sua condição de líder da concelhia de Fafe em 2017, ter encabeçado, nas autárquicas daquele ano, uma lista independente que concorreu à assembleia municipal (AM).

Desde 2017 que José Ribeiro alega ter sido candidato numa lista independente à AM e apoiado a candidatura, no âmbito do mesmo movimento, de Antero Barbosa, também militante do PS, à presidência da câmara, porque o então presidente do executivo, o independente Raul Cunha, eleito em listas do PS, havia dito publicamente e à concelhia socialista que não se pretendia recandidatar ao cargo.

Raul Cunha acabou, contudo, por se candidatar a um segundo mandato na autarquia, com o apoio da direção nacional do PS, que avocou o processo de escolha, em oposição à estrutura concelhia que indicara Antero Barbosa como candidato.

Seguiu-se uma conturbada campanha eleitoral, com militantes do PS nos dois lados da contenda.

O PS, encabeçado por Raul Cunha, acabou por ganhar a eleição para a presidência da câmara, sem maioria absoluta, mas perdeu o escrutínio da assembleia para os independentes, liderados por José Ribeiro.

Na carta, José Ribeiro recorda à direção nacional socialista que deixou a autarquia em 2013 e que deu “todo o empenho e saber para que o PS mantivesse a câmara e resolvendo uma situação política muito complexa”. Sinalizou ainda que foi “a pedido e por acordo do atual residente da câmara” que se candidatou à concelhia em 2016, “tendo vencido por dois terços dos votos, na eleição mais participada de sempre”.

“É esta a minha história de vida no interior do PS, a que agora ponho termo a contragosto, dado o vosso irritante autismo e arrogância”, escreveu José Ribeiro, queixando-se de perseguição e explicando que se demite porque o seu passado não “mereceu” de António Costa “o mínimo respeito ou atenção, antes desprezo e sobranceria”.

“Saio também por não suportar a mentira e a incapacidade de diálogo democrático da sua secretária adjunta”, acentuou, concluindo: “Saio com mágoa, mas com a consciência de tudo ter feito para evitar a minha saída. Estou a mais no PS do António Costa e da Catarina Mendes, do PS centralista, arrogante, autocrático e mesquinho”.