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Felgueiras e não os projetos pessoais

E chegou janeiro de um novo ano com o mundo em ebulição. A tomada de posse do presidente dos EUA com a mais baixa taxa de popularidade em início de mandato – conseguindo bater Nixon – e um extremismo que, diziam os mais conservadores dos Republicanos, seria diluído com os conselheiros e staff da Casa Branca. Trump já demonstrou acreditar estar ungido por Deus no sentido de fazer e o que tem que ser feito, e já desfez em poucos dias o que demorou décadas a construir. Mas então o que fez com que os americanos fizessem dele presidente, apesar de não ter mais votos?

Aquilo que os analistas, marketeiros e staff de campanha não viram é que quando Trump dizia uma barbaridade como acabar com os acordos comerciais, estes pensavam nas consequências enquanto os americanos viam o regresso do poder, um homem poderoso e de sucesso – apesar de três bancarrotas, conseguiu reerguer um império – e se reviam nele. Ele simbolizava o que cada um dos americanos gostava de ser. Rico e poderoso, batendo no sistema. E tudo o que se ouve falar é contra o sistema.

Contra o sistema surgiu em Felgueiras o movimento Primeiro MIC (Movimento Independente de Cidadãos), que se assumia como “as duas faces de uma mesma moeda um objetivo de mudança e uma mudança liderada pela sociedade civil, isto é, o Primeiro MIC pretende ser uma oportunidade de participação cívica para todos quantos tenham um desejo profundo de mudança e que identifiquem com o projeto de mudança que preconizamos” lia-se no site do protejo que se encontra desativado. Liderado por Pedro Araújo, o movimento independente foi lentamente efetuando os seus contactos, analisando o posicionamento, constatando que sozinho não iria lá e começou a fase do namoro. Namoro público em diversas situações e Assembleias Municipais, ficando conhecido nos corredores políticos como a Ala dos Namorados.

Mas enquanto o MIC via “quem dava mais”, segundo declarações do líder ao Expresso de Felgueiras, o PS tratava de torrar nomes a candidatos à velocidade de um por semana. Apanhados em contrapé, vêm um movimento “cívico” tomar as rédeas de um acordo para as autárquicas em que impõe “Pedro Araújo liderar uma candidatura forte pelo PS, que inclua outras personalidades do MIC.”. Quatro dias depois o PS Felgueiras, através de um comunicado, diz ter “reagido com agrado à abertura do movimento de independentes MIC para abraçar o projeto socialista” acrescentando que, – leiam com atenção – este gesto “revela a força da candidatura do partido socialista de Felgueiras está a construir no nosso concelho”. Ou há aqui alguma coisa que me escapa ou o PS está metido em maus lençóis. Sendo o PS o principal partido da oposição era sua obrigação ter um projeto, uma estratégia, um candidato próprio e, vendo no MIC uma mais-valia, convidar o mesmo para integrar as suas listas. Mas não é o que acontece. O movimento “independente” de cidadãos é quem marca a agenda do PS, quem define os timings e inclusivamente impõe o seu candidato como cabeça de lista do PS. Ora “força da candidatura socialista” é coisa que não se consegue constatar pelo sucedido. O partido socialista de Felgueiras está vazio de quadros, de ideias, de projetos. Veja-se o género de oposição feita, encoberta em tentar demonstrar fragilidades no executivo municipal, no PSD, feita de lugares comuns sobre temas repetidos durante sete anos, sem uma única alternativa, a coberto, várias vezes, de ataques pessoais.

Todos podemos emitir as nossas opiniões, mais ou menos contundentes mas sem ataques pessoais. Assino esta coluna de opinião desde o número zero do Expresso de Felgueiras, e blogues há 14 anos, sempre fui contundente nas minhas opiniões atacando políticas, posições, atitudes mas não a pessoa em si. Recordo particularmente o período em que Fátima Felgueiras era presidente quando escrevi opiniões ferozes, mas sempre mantive uma relação pessoal de cortesia e bom trato que era recíproca. Com Júlio Faria a mesma situação, mas políticos como Júlio Faria já não há no partido socialista. Temo que algumas forças partidárias tentem arrastar esta campanha para um nível muito baixo. Espero que todos estejamos à altura de nos focarmos no essencial. Felgueiras e não os projetos pessoais.

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