Felgueiras recorre aos tribunais para impedir aumento da água

“Vamos até aos limites legais para combater esta autêntica expropriação”, avançou o autarca social-democrata

FOTO: Armindo Mendes

A Câmara de Felgueiras vai recorrer à justiça para impedir “o aumento do custo da água” provocado pela fusão dos sistemas multimunicipais do norte do país imposta pelo Governo, disse à Lusa o presidente Inácio Ribeiro (PSD).

“Vamos até aos limites legais para combater esta autêntica expropriação”, avançou o autarca social-democrata.

As declarações do autarca foram realizadas após a reunião de hoje da Águas do Douro e Paiva que aprovou, contra vontade dos municípios acionistas, a extinção da empresa e a integração na nova sociedade que reúne todos os sistemas multimunicipais do norte do país.

O presidente de Felgueiras e da Associação de Municípios do Vale do Sousa considera ilegal a votação de hoje, recordando que, no plano legal, o acionista Águas de Portugal não deveria ter votado, por estar em representação do Estado.

“Há um claro conflito de interesses e abuso de poder”, considerou, prometendo que, por isso, haverá lugar a um pedido de impugnação da votação.

Inácio Ribeiro disse, por outro lado, que o seu município não se conforma com a opção do Governo, por ser “muito injusta” e porque, assinalou, vai traduzir-se num encargo adicional de 200.000 euros por ano que Felgueiras terá de suportar.

O autarca recordou que no seu concelho são praticados, atualmente, dos tarifários mais baixos do país, situação que sofrerá uma “alteração significativa”, porque o aumento do custo da água em alta que se perspetiva com o novo modelo terá de ser refletida no consumidor.

Para o presidente, esta matéria é “muito injusta” para os concelhos acionistas da Águas do Douro e Paiva que vão ter de suportar aumentos provocados pela “incompetência” de quem geria os sistemas deficitários do interior norte.

Também hoje, o município de Paços de Ferreira, de maioria socialista, anunciou que vai recorrer aos tribunais para impedir a reestruturação imposta pelo Ministério do Ambiente.

Em declarações à Lusa, o presidente Humberto Brito avisou que a reestruturação do setor que o Governo pretende impor aos municípios conduzirá ao aumento do custo da água em Paços de Ferreira, concelho que, vincou, já tem dos tarifários mais elevadas do país, herdados do anterior executivo municipal de maioria PSD.

 

 

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