Freguesia de Sendim exige resolução dos problemas ambientais no aterro

A Freguesia de Sendim, onde se situa o aterro de resíduos industriais de Felgueiras, que foi encerrado na sexta-feira pela tutela, exigiu hoje a resolução dos “problemas ambientais que põem em causa a saúde pública”.

“O encerramento do aterro foi uma boa notícia para Sendim. Contudo, só será positiva se todos os problemas forem resolvidos”, considera o presidente da junta, José Silva.

Uma inspeção da tutela determinou o encerramento imediato do aterro de resíduos da indústia de Calçado, em Felgueiras, por incumprimento de normas ambientais, informou, na terça-feira, o presidente da câmara.

Nuno Fonseca explicou que a ação da Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) decorreu no final da semana passada (quinta-feira e sexta-feira), tendo sido detetadas “várias anomalias” no funcionamento do equipamento situado na localidade de Sendim.

Segundo o presidente do município, os inspetores identificaram situações de deficiente deposição e acondicionamento dos resíduos, para além de uma quantidade acima da capacidade do aterro.

O aterro sanitário de Felgueiras servia exclusivamente para a recepção de resíduos não perigosos da indústria de calçado que predomina no concelho e era utilizado diariamente por dezenas de unidades fabris.

Junta de Sendim considera que “tem estado em causa a saúde pública da população”

Reagindo ao encerramento do aterro, o presidente da Junta de Freguesia de Sendim sublinhou hoje que, nos últimos anos, “tem estado em causa a saúde pública da população”.

Numa declaração escrita enviada à Lusa, reforçou que “asaúde pública foi e é posta em causa por todas as irregularidades ambientais que se praticaram no aterro”, indicando que o equipamento excedeu, há vários anos, a sua capacidade, “infringido várias normas ambientais”.

O presidente da freguesia acrescenta que “a situação vinha a agravar-se, apesar do grande esforço do atual executivo camarário para inverter a tendência e resolver pelo menos os problemas mais graves”.

Não obstante esse esforço, prosseguiu o autarca de Sendim, “a situação tornou-se demasiado gravosa, daí a decisão da inspecção”.

Aterro de sendim Felgueiras4

José Siva insiste que, apesar dos avisos e queixas da população, os problemas foram negligenciados pelo poder autárquico nos últimos cinco anos.

Para o presidente da junta, o aterro “hipoteca seriamente a saúde” dos habitantes, lamentando que “a qualidade de vida de Sendim seja, garantidamente, inferior às demais freguesias do concelho”.

Sendim lamenta, por outro lado, que nos últimos oito anos a freguesia não tenha sido compensada pelo “fagelo ambiental”, ao contrário do que acontece com outras localidades onde existem aterros.

“Estaremos cá para fiscalizar todo este processo e exigirmos aquilo a que temos direito, ou seja, compensações, igualdade de tratamento e investimento, numa freguesia que tanto dá ao concelho”, rematou o chefe do executivo de Sendim.

Na sequência da ação inspetiva da IGAMAOT, a câmara ficou obrigada a, num prazo de 15 dias, retirar todos os resíduos considerados em excesso e transferi-los para outros aterros, o que já está a acontecer, segundo foi revelado.

O município terá ainda, no prazo de 180 dias, de apresentar um projeto para a selagem das quatro células do aterro, uma terefa que poderá custar cerca de um milhão de euros, de acordo com uma estimativa dos serviços da edilidade.

O presidente da câmara recorda que a atual gestão municipal (coligação PS/Livre) , quando tomou posse em outubro de 2017, depois de vencer as autárquicas, herdou o problema do aterro da anterior gestão, liderada por Inácio Ribeiro (PSD), designadamente o esgotamento da capacidade do equipamento.