Graça Meireles diz que o PSD/Felgueiras “é uma barca sem leme” e que a Lixa tem sido prejudicada

A militante social-democrata Graça Meireles, que renunciou recentemente aos cargos de deputada na Assembleia Municipal de Felgueiras e na Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, considera que o PSD de Felgueiras “é uma barca sem leme”.

“A minha decisão de deixar os cargos teve a ver com questões no âmbito do partido e outras que, entretanto, aconteceram num passado recente e que poderiam ser ultrapassadas, apesar de me parecer que, neste momento, o PSD é uma barca sem leme”, disse, numa entrevista ao “Jornal da Lixa”, publicada nesta sexta-feira.

A ex-deputada municipal revelou ainda que foram “as questões governativas e o modo como a Lixa vem sendo tratada” que a “obrigaram a assumir esta posição”.

Graça Meireles na Lixa3

Graça Meireles foi uma das mais dinâmicas militantes do PSD nos últimos processos autárquicos no concelho, nomeadamente nas vitórias em 2009 e 2013.

O descontentamento da militante social-democrata é justificado pelo “aparente abandono a que o presidente votou a Lixa”.

“Não estou na política para me servir, mas, pelo contrário, estou na política, por convicção e, sobretudo, com espírito de missão”, vincou Graça Meireles, acrescentando:

“Sendo eu, na Lixa, um dos rostos mais entusiastas e, consequentemente, mais visível das promessas feitas anteriormente, as pessoas vêm ter comigo, diariamente, mostrando-me o seu descontentamento e até a sua revolta”.

“A Lixa perdeu a esperança em Inácio Ribeiro”

Na entrevista, adiantou ainda que aquela situação acabou por cansá-la por estar “solidária com as pessoas”.

“Sinto exatamente a mesma frustração e estou sem força para defender o indefensável. É uma questão de seriedade que está subjacente a esta decisão. É muito triste ver a terra em que nascemos perder a esperança. A Lixa perdeu a esperança em Inácio Ribeiro”, exclamou.

A ex-deputada municipal considera que, no primeiro mandato de Inácio Ribeiro, a Lixa teve investimento, mas no segundo mandato os lixense foram “simplesmente deitados ao esquecimento”.

Graça Meireles considerou que a introdução de paquímetros na Lixa, por parte da Câmara de Felgueiras, foi “absolutamente descabida e acabou por ter um impacto muito negativo até na dinâmica do comércio e na vida do próprio centro que simplesmente ficou deserto”.

“Isto é revelador da atenção que tem sido dada à Lixa, entre outras coisas, como, por exemplo, a certificação dos bordados da Lixa que, ao contrário do apoio e promoção que tem sido dado a outras atividades de outras freguesias, como a Casa do Risco ou o Filé, a Lixa não tem tido o mesmo apoio e não tem sido por falta de empenho por quem representa a Lixa, mas sim de quem toma as decisões”, assinalou.

Graça Meireles na Lixa2

Graça Meireles declara-se “descontente” também com o partido e aponta “a falta de trabalho” do Núcleo Feminino do PSD Felgueiras como mais uma razão.

“O Núcleo, no qual fui uma acérrima defensora e no qual depositava as maiores expectativas, já não existirá, pelo menos na forma como funcionou ao longo do período em que foi permitido trabalhar sem restrições, nem censuras”, lamentou.

A ex-deputada lamentou que, naquela estrutura partidária, “a dada altura deixaram de poder trabalhar, porque não podiam trabalhar mais do que o partido”.

Graça Meireles contou que “as fichas de inscrição foram para o caixote do lixo”.

“Eu posso dizer que sou militante apenas porque fui teimosa e consegui, por meios que agora não vale a pena referir, que a minha inscrição chegasse onde era devido para eu poder ser militante”, afirmou.