Jovem da Lixa apostou na Internet para vender bordados e já exporta para vários países (C/ÁUDIO)

A empresária Patrícia Costa é o rosto do ateliê que se dedica à produção, totalmente manual, dos bordados típicos do Vale do Sousa, dando emprego a cinco bordadeiras que estavam desempregadas.

Armindo Mendes

Uma educadora de infância da Lixa, Felgueiras, de 27 anos, bisneta de bordadeiras, criou em 2011 uma empresa de bordados, que promoveu na Internet e já exporta os seus produtos para vários países.

A empresária Patrícia Costa é o rosto do ateliê que se dedica à produção, totalmente manual, dos bordados típicos do Vale do Sousa, dando emprego a cinco bordadeiras que estavam desempregadas.

A empresária disse à Lusa que o negócio está a “correr muito bem”, com um crescimento constante na faturação, que em 2013 atingiu os 100.000 euros, triplicando o valor de 2012.

Com a jovem empreendedora colabora o namorado, de 30 anos, médico e sócio no negócio, que dá apoio na gestão e gere a área da Internet.

Os dois membros de casal têm famílias com ligação aos bordados.

“As nossas avós e bisavós bordaram. É uma região muito rica neste tipo de artesanato e daí surgiu a oportunidade de criarmos um negócio relacionado com esta atividade tradicional”, contou à Lusa.

Em 2011, criaram um blogue para promover os produtos internacionalmente. O sucesso foi tanto que rapidamente evoluíram para um ‘site’, com um vasto portefólio de produtos, através do qual são realizados quase todos os contactos e negócios.

Mais de 90% dos bordados, que incluem atoalhados de mesa, roupas e acessórios de moda que saem diariamente do seu ateliê destinam-se à exportação para França, Suíça, Estados Unidos e Austrália.

bordadeira da lixa 2

“Criámos peças aliando a tradição à modernidade”, afirmou, explicando que o sucesso do negócio também se deve à aposta em mercados com elevado poder de compra, com produtos inovadores, incluindo acessórios de moda, como lenços de seda e carteiras de senhora.

“Temos de fazer uma análise de cada mercado. Para cada um adaptamos o nosso produto. Ao fazê-lo, os clientes ficam satisfeitos e reconhecem o nosso trabalho” assinalou.

Algumas peças podem custar mais de 3.000 euros, o que reflete, observou, o tempo que demoram a fazer (em alguns casos mais de um mês) e o caráter exclusivamente manual e original de cada bordado.

“Aqui não entram máquinas. É tudo manual, não são utilizados computadores ou software de design”, destacou, enquanto apontava para o trabalho moroso e de minúcia que as bordadeiras executam em toalhas de linho.

Patrícia Costa contou à Lusa que, neste ano, espera ultrapassar os 200.000 euros de faturação, sobretudo à custa de novos mercados. Para alcançar o objetivo, candidatou-se a um incentivo à internacionalização desenvolvido por um incubadora de empresas de Braga.

Graças àquele apoio, a empresa da Lixa vai participar, em 2014, em feiras no Dubai, Japão, Estados Unidos, Suíça e Inglaterra.

Apesar do crescimento, a jovem empresária garantiu que não se vai desviar do caminho seguido até agora.

“Só trabalhamos com tecidos naturais, como o algodão e o linho. Queremos que a nossa empresa valorize e preserve o meio ambiente e que reduza os gastos de energia”, assinalou.

Se o plano da empresária surtir o efeito que deseja, haverá lugar à contratação de mais bordadeiras para corresponder ao aumento do trabalho.

Bordadeira da LIxa net“Ainda há mão-de-obra disponível. O nosso objetivo é contratar o máximo de pessoas e necessário para a nossa atividade. Temos uma responsabilidade social e cultural que a empresa quer seguir: dar emprego às pessoas locais e valorizar o que é nosso”, afirmou.

A empresa também se propõe, em breve, apostar na formação de mão-de-obra, sobretudo de jovens da região que queiram aprender a arte de bordar de acordo com os métodos tradicionais.

“Gostaríamos de ter jovens a aprender esta técnica tão nossa, tão portuguesa”, concluiu.

 

APM.

Lusa/fim