LIXA: Vinho Verde pode crescer nos EUA com mais informação

A venda de vinho verde nos Estados Unidos pode acelerar se forem explicadas aos consumidores locais as características do produto, em especial a sua acidez, defendeu na Lixa uma especialista norte-americana que se encontra em Portugal.

“As pessoas [nos Estados Unidos] conhecem uma espécie de vinho verde, com algum gás e não conhecem mais nada. Quando conhecerem o quão agradável é e o seu bom preço vai ser muito popular”, previu Virgínia Miller, redatora em S. Francisco sobre temas ligados à comida, ao turismo e ao lazer.

Em declarações à Lusa, prosseguiu: “Por isso, certos consumidores, como os jornalistas e os especialistas, devem ser educados, porque há muito para aprender e esses trarão mais”.

Virgínia Miller integra um grupo feminino de cinco jornalistas, de vários pontos dos Estados Unidos, que está esta semana a visitar a região dos vinhos verdes, a convite da Comissão de Vitivinicultura.

A visita termina na sexta-feira, depois de passagens por produtores e unidades de restauração das regiões do Tâmega e Sousa, Lima e Alto Minho.

Nos diferentes produtores, as especialistas que habitualmente escrevem em jornais, revistas e plataformas digitais norte-americanas, têm realizado provas de vários tipos de vinho verde, acompanhados da gastronomia local.

Convidada, em nome do grupo, a falar sobre o vinho verde, sublinhou a sua acidez específica e capacidade que tem para “casar muito bem com muitos tipo de comida”, em especial o peixe e as saladas.

“Há muitos vinhos regionais de que eu gosto em todo o mundo. Em geral, eu aprecio os vinhos com uma certa acidez e eu entendo-a aqui na região”, afirmou, enquanto elogiava outros atributos do território: “Este é um vinho único, apropriado para a comida. É feito para casar com uma refeição e isso é fácil nesta região, onde há boa comida e muitas variedades de vinho verde”.

Numa das provas realizadas, numa unidade hoteleira de Amarante, propriedade da Quinta da Lixa, rodeada de vinhas, acompanhada pela agência Lusa, as jornalistas formularam ao enólogo responsável muitas questões sobre as especificidades da acidez do produto, os métodos de adição de açúcar e gás, a utilização de rolhas de cortiça, a rotulagem e as estratégias de marketing.

À Lusa, Virgínia Miller sublinhou, por outro lado, a qualidade dos espumantes produzidos na região, que desconhecia, e o potencial que, por isso, poderão ter nos Estados Unidos, apesar de ser um mercado mais saturado.

Contudo, frisou, o preço competitivo e a qualidade que exibem, fazem dos vinhos verdes, incluindo espumantes, uma boa opção para dos consumidores daquele país, mais habituados a comprar variedades produzidas noutras regiões do mundo e até mais dispendiosas, mas abertos às novidades.

Bruno Almeida, do departamento de Marketing da Comissão de Vitivinicultura da Região dos Vinhos Verdes, que acompanha o grupo de jornalistas, explicou que estas ações se inscrevem na estratégia traçada há 15 anos pela comissão para potenciar o crescimento das exportações, nomeadamente no mercado dos Estados Unidos.

É habitual, disse, a vinda de jornalistas especialistas em vinho e turismo à região para conhecerem melhor o produto e poderem, pelos seus canais de comunicação, nos seus países, divulgarem a qualidade e o potencial do vinho verde.

Além disso, têm sido realizadas ações nos Estados Unidos, com sessões de provas e formativas em diferentes cidades, focadas os produtos com mais valor, mas menos conhecidos. Esse trabalho tem ajudado a incrementar o crescimento das exportações para os Estados Unidos, que são, desde 2007, o melhor mercado para o vinho verde.

Atualmente, 43% do produto é exportado para nove mercados prioritários e representa cerca de 55 milhões de euros de volume de negócios.

A evolução dos hábitos alimentares nos Estados Unidos e noutros países, com uma aposta em comida saudável, com pratos mais leves à base de legumes e peixe, tem ajudado ao crescimento do vinho verde, porque é um produto, considerou, que casa muito bem com esse tipo de refeições.

 

APM // JGJ

Lusa/Fim