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Mudar implica mudanças!

Quando alguém se propõe mudar, essas mudanças podem ser de estilo, de forma, mas as mais relevantes são sem dúvida as de conteúdo, porque são estas que permitem adoptar mudanças sustentáveis no estilo e na forma.

Em Felgueiras, no dia 1 de outubro de 2017 votou-se pela mudança – não apenas no estilo -, e ao contrário do que defendem várias pessoas (entre as quais o Vereador João Sousa) os felgueirenses não queriam apenas “mostrar um cartão amarelo e saiu um vermelho” tendo o resultado sido intencional, e sem necessidade de intervenção do VAR. Se a intenção fosse o “cartão amarelo”, não teria existido voto útil numa única coligação política (Sim, Acredita!), em que o Novo Rumo saiu claramente penalizado por essa manifestação popular de concentração de voto, decisiva para a mudança na gestão municipal. E era de facto uma mudança necessária atendendo aos erros cometidos pelo PSD em várias áreas que penalizaram os felgueirenses e adiaram o concelho em vários planos estratégicos, como é exemplo a revisão do Plano Diretor Municipal, mas já lá vamos.

Passados os primeiros 100 dias do novo “Governo Municipal” as mudanças sentidas foram até ao momento principalmente no estilo, o que lhe tem permitido manter – pelo menos até aos últimos dias -, uma aura positiva na base eleitoral e um sentimento de superioridade intelectual e moral na coligação PS/Livre. Mas uma coligação que até poderá ser alargada: pelo posicionamento nas reuniões já realizadas da Assembleia Municipal e pelas declarações públicas recentes de Carla Carvalho, o CDS-PP tornou-se claramente um apoiante desta coligação de esquerda, podendo deduzir-se que para o CDS-PP, ou pelo menos para a sua líder, era suficiente a mudança de protagonistas…

As mudanças de estilo são necessárias e bem vindas: a maior disponibilidade para atendimento dos munícipes, a descentralização das reuniões do Executivo Municipal, um maior envolvimento dos Presidentes de Junta e Uniões de Freguesia na discussão dos protocolos a realizar, são factos positivos, mas esperavam-se já maiores sinais/mudanças ao nível do conteúdo que ainda não aconteceram: alteração na forma de arrecadação de receita do Orçamento Municipal (mantiveram-se exatamente todas as taxas e impostos que o PSD tinha decidido para 2017); impulso na revisão do PDM (é necessário esclarecer de forma muito clara – envolvendo todos os principais intervenientes neste trabalho nos últimos 2 anos -, se o trabalho que estava a ser feito permitia concluir ou não em março/2018 a revisão, e se a decisão do Presidente Nuno Fonseca iniciar um novo processo de revisão do PDM está relacionado com uma legítima decisão de dar o seu cunho às decisões de ocupação dos solos no concelho de Felgueiras); assumpção indubitável do interesse público da Escola Profissional de Felgueiras (é inexplicável que tenha sido colocada de novo na praça pública a necessidade de alteração do modelo de gestão da EPF, mais ainda quando é inegável que o Partido Socialista é um defensor da escola pública e que é indispensável que esta escola se mantenha na esfera do município com maioria de participação no capital social); alteração do modelo de contratação de serviços para a autarquia (depois dos inúmeros ajustes diretos realizados nos mandatos de Inácio Ribeiro – onde por exemplo o relacionado com a EMAFEL foi duramente criticado publicamente pela oposição e pelos apoiantes do Sim, Acredita! -, é preocupante que em cerca de 5 meses de mandato já se tenha ultrapassado os 130 mil euros em contratações por ajuste direto, incluindo assessorias de comunicação, jurídica e de gestão, e sobre a crítica dos vereadores da oposição de uma alegada triangulação entre a câmara e a Associação Empresarial de Felgueiras, o Presidente indicou que esta já vem do anterior executivo).

Como eventual justificação para que a nova governação municipal ainda tenha este registo ao nível do conteúdo, muitos (principalmente os seus apoiantes) vão dizendo e tentando “viralizar” nas redes sociais que não se pode exigir que em meio ano o novo Executivo faça aquilo que outros não fizeram em mandatos completos consecutivos, ou que algumas ações não podem ser condenadas porque “outros” já o faziam…

… Pois, só que Mudar implica mudanças, e não apenas de estilo!

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