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Não há almoços grátis

E foi-se a independência, o apartidarismo e algumas ideias. O meu amigo Nuno Fonseca acabou por ceder à tentação e à necessidade e, ainda mesmo antes de ter listas e começar a campanha eleitoral, faltar à palavra dada àqueles que acreditavam num movimento independente.

Depois de se ter declarado, em entrevista ao Expresso de Felgueiras, “independente numa candidatura independente” e “sem dependências partidárias”, que depois de vários contactos com partidos políticos, onde se incluía o PS e CDS, “entendeu que esta candidatura independente interpreta aquilo que acreditamos ser o melhor projeto para as pessoas” e que representava uma “alternativa política local, pluralista, apartidária e independente”, resolveu terminar com a candidatura independente e ser cabeça de lista numa coligação constituída pelo PS e Livre. Sim, o Livre, o partido da papoila que é contra o capital, os empresários e tudo quanto esteja associado ao Capitalismo, que apoia um candidato que é presidente de uma associação empresarial e empresário, num concelho de empresários, empreendedorismo e… capital.

Mas não vem mal nenhum ao mundo por causa disso. Aliás, os eleitores felgueirenses já estão habituados a putativos candidatos independentes, que na primeira oportunidade saltam para um partido político e acabam por sair e nem sequer ir a votos quanto tinham, segundo o ilustre candidato, estrutura, muitos felgueirenses que se reviam no projeto, tinham até um PDF e em ano e meio (desde a apresentação como candidato) “esqueceram-se” de reunir as assinaturas para ser candidato. Melhor. Agora a desculpa é que não pretendem dividir o eleitorado. Nuno Fonseca só tinha de fazer uma coisa. Dizer frontalmente aos seus simpatizantes que se tinha enganado, que mudou de ideias, que o projeto que liderava já não é o “melhor projeto para as pessoas”. O que não faz sentido é tentar vender a ideia de independência quando na realidade lá estão os símbolos partidários, as cedências que terá que fazer, agora e no futuro, caso saísse vencedor destas eleições.

É que não há almoços grátis. Os apoios socialistas que Nuno Fonseca poderá vir a ter são do último período em que o PS foi poder em Felgueiras e todos sabemos como estava o concelho. Conhecido pelos piores motivos, envergonhando quem de cá saía, uma câmara com perto de 30 milhões de euros de dívida e sem capacidade de endividamento. Esses são os mesmos que estarão ao lado de Nuno Fonseca e que lhe vão bater à porta caso seja vencedor. E sabemos bem o que acontece a pessoas ressabiadas quando pensam que podem colocar os seus interesses pessoais à frente do concelho.

Desde 2009 tivemos grandes alterações a nível do concelho. Desde logo pela democracia que se vive, pela forma como é possível contestar e criticar abertamente (mesmo que isso, para alguns, signifique até insultar e repetir mentiras até que se tornem “verdades”). Antes de 2009, tínhamos loteamentos aprovados sem saneamento e com esgotos a céu aberto. Ninguém criticava. Este mandato, fizeram-se cerca de 95 km de saneamento e água, que ainda não chega, é certo, mas foi um grande avanço perante o que tínhamos. Os problemas de 34 anos de desgoverno socialista e de “crimes” urbanísticos não se corrigem em 8 anos. Quando se ouvem críticas de que em determinados loteamentos ainda não há saneamento verificamos que são casos de loteamentos aprovados há 15 ou mais anos, altura em que já existiam regras urbanísticas, mas que foram autorizados dessa forma. Agora teríamos que ter passado para uma taxa de cobertura de 100% para que todos os problemas estivessem resolvidos. Lá chegaremos, mas em 8 anos não se consegue…

O ato de governar uma autarquia é um caminho que se faz ao longo dos anos, que se desenvolve, que se melhora e que vai capacitando cada um dos intervenientes a fazer melhor. Depois de um primeiro mandato de rigor, normalização institucional e com o país, seguiu-se um de saneamento de contas, de colocar a autarquia na linha da frente em termos financeiros e preparar os projetos do quadro comunitário 2020 que, há semelhança do anterior, foi aberto pelo governo com 3 anos de atraso e apenas ronda neste momento os 3% de execução nacional. Ou seja, o país vive num verdadeiro estaleiro porque as primeiras verbas foram apenas agora libertadas para os projetos apresentados e o que se vê em Felgueiras é o que se vê no resto dos concelhos. Todos a quererem avançar com os projetos o mais depressa possível.

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