Está em
Início > Opinião > Não vamos regressar ao passado

Não vamos regressar ao passado

Passado um mês, desde que o PS Felgueiras retirou o apoio ao seu candidato, Pedro Araújo, estes ainda não apresentaram um novo cabeça de lista, até ao momento. Estão, para já, anunciados apenas Rui Miranda, pelo movimento “Novo Rumo”, Nuno Fonseca, pelo movimento “Sim Acreditamos” e o atual presidente da câmara e candidato a um terceiro mandato, Inácio Ribeiro, com o mesmo nome da coligação “Manter a Esperança” uma vez que o PPM é, mais uma vez, o parceiro da mesma.

Este processo eleitoral é completamente atípico em relação àquilo que os “manuais” aconselham. Os candidatos desconhecidos da maioria da população devem ser dados a conhecer o quanto antes e aquele que se recandidata é, usualmente, o último a ser apresentado. Felgueiras contraria neste momento toda a lógica. Temos o nosso presidente de câmara, Inácio Ribeiro, a avançar primeiro que qualquer outra candidatura, as candidaturas independentes a organizarem-se ainda na obtenção das assinaturas necessárias, os partidos da oposição como o BE, PCP e PCTP/MRPP a não avançarem com candidaturas e o maior partido da oposição, a cerca de um mês para a entrega das listas definitivas, ainda sem candidato anunciado. Também quem precisa de seguir manuais quando há aí tantos entendidos em eleições, com provas dadas, a darem assistência a candidaturas? E não faltam exemplos por essa Europa fora de eleições muito pouco convencionais.

Mas por entre os avanços e recuos de nomes e putativos candidatos, ou de exposições de outros na montra das redes sociais, vão surgindo informações em forma de desinformação por parte de pessoas com agendas pessoais muito definidas. E é precisamente sobre essas questões que os felgueirenses têm que ser esclarecidos. Esta câmara governada pelo PSD tinha que fazer uma de duas escolhas, quando em 2009 ganhou pela primeira vez, ou tratava do saneamento financeiro e equilíbrio das contas, convém relembrar que em 2009 a dívida total da câmara era de 23,6 milhões de euros (!!!) e em final de 2016 é de 8,8 milhões de euros, ou prosseguia no caminho do endividamento, do recurso a financiamentos com a sua capacidade esgotada e fazia mais uns “mamarrachos”. Depois, tal como todas as outras câmaras municipais, Felgueiras viu as transferências do Estado diminuídas em vários milhões de euros, devido à situação em que os socialistas deixaram o país e, para além disso, o anterior quadro comunitário estive a encerrar e a abrir o novo quadro Portugal 2020 durante quase três anos. Por isso se vêm tantas obras a arrancar neste momento, mas não é só aqui. Para aqueles que gostam de comparar com os concelhos vizinhos, todos eles, sem exceção, parecem estaleiros gigantes. É que, tal como Felgueiras, também eles esperavam que abrissem o quadro comunitário.

Vejo já algumas promessas eleitorais como por exemplo o Parque da Cidade, espaço de natureza e lazer que deve dar qualidade de vida aos felgueirenses e a quem nos queira visitar. Muitos perguntarão por que não está feito ao fim destes anos já que foi um dos compromissos do PSD? É que o processo é bastante mais complicado do que aquilo que alguns putativos candidatos possam querer dar a entender (por desconhecimento ou tacticismo político). Para se construir um Parque da Cidade são necessários terrenos que estão na posse de muitos proprietários. Para isso, é preciso chegar a acordo com os proprietários e pagar o preço justo, evitando pagar mais em processos de expropriação que deve ser o último recurso. Claro que outros fariam de outra forma. Expropriavam tudo e depois da condenação a câmara pagava valores altíssimos. Há sempre vários caminhos e este foi aquele que foi escolhido, na minha opinião, acertadamente. Contas estabilizadas, execuções orçamentais elevadas na ordem dos 79% (em 2009 era de 53%) o que significa que se forem orçamentados 100 milhões de euros em obras a câmara está a realizar 79 milhões, quase a totalidade, quando em 2009 cumpria com metade do que prometia fazer.

Serão muitas as tentativas de desinformação até às eleições e os felgueirenses devem ser esclarecidos numa campanha que se pretende de debate de ideias, de sugestões de melhorias em prole do concelho e não de ataques baixos, pessoais e mesquinhos que, para além de fazerem lembrar o passado, não beneficiam os felgueirenses. Felgueiras é hoje reconhecida pelo trabalho de todos os felgueirenses de uma forma bastante positiva. Não vamos regressar ao passado.

Top