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Nuno Fonseca quer regresso do comboio a Felgueiras para potenciar exportações

O presidente da Câmara de Felgueiras, Nuno Fonseca, disse hoje à Lusa ter defendido junto do Governo a necessidade de o concelho ser servido pela rede ferroviária nacional e assim potenciar as exportações.

“Para nós, construir uma nova linha férrea que faça chegar o comboio a Felgueiras é algo estratégico para o desenvolvimento a longo prazo do concelho”, acentuou o autarca.

Nuno Fonseca afirmou reconhecer que se trata de uma ideia ambiciosa, mas não impossível de concretizar no médio prazo se o Governo mantiver a estratégia que tem defendido, no sentido de investir na modernização e expansão da rede ferroviária nacional.

“Nós somos o maior produtor e exportador de calçado em Portugal. Felgueiras é um concelho muito dinâmico e com um contributo líquido significativo para a economia nacional. Tenho a certeza que uma linha de comboio que chegasse a Felgueiras, além de reconhecer a importância económica do território, facilitaria o transporte de mercadorias e a mobilidade das dezenas de milhares de pessoas que trabalham no setor”, acentuou.

A questão da linha férrea ou a falta dela não é nova em Felgueiras, mas voltou à ordem do dia depois cinco autarcas socialistas do distrito do Porto, reunidos da Federação do PS, terem feito chegar ao ministro do Planeamento, Pedro Marques, um estudo prévio sobre o assunto, elaborado por Paços de Ferreira.

 

Linha com 30 quilómetros entre Valongo e Felgueiras

 

Nesse estudo, defende-se as vantagens da construção de uma nova linha, com cerca de 30 quilómetros, começando em Valongo e evoluindo para norte com passagens e estações nos concelhos de Paredes (zona de Lordelo) Paços de Ferreira e Lousada, terminando em Felgueiras.

Apesar de se tratar de um dos municípios mais industrializados do norte do país, Felgueiras não é servido pela rede ferroviária nacional desde 1931, quando encerrou a linha que ligava Entre-os-Rios e a Lixa, passando por Penafiel, Lousada e Felgueiras.

 

CP-caide-comboios-estacao

 

Atualmente, a estação mais próxima situa-se na Linha do Douro, em Caíde de Rei, no vizinho concelho de Lousada, a cerca de 18 quilómetros da cidade de Felgueiras, e a cerca de meia hora de carro por estrada nacional.

Para Nuno Fonseca, a inexistência de caminho de ferro no concelho tem sido, nas últimas décadas, uma limitação ao desenvolvimento.

Acresce, frisou, que a introdução, há alguns anos, de portagens na antiga SCUT que liga Felgueiras ao Porto (A42) penalizou ainda mais os munícipes e as centenas de empresas que laboram no concelho.

 

Transporte mais eficaz para pessoas e mercadorias 

 

Fazer chegar as exportações às infraestruturas aeroportuárias da área metropolitana do Porto é assim “mais caro e menos eficiente”, acentuou.

O presidente defende que, por tudo isso, faz sentido iniciar-se uma discussão política séria sobre necessidade do projeto, envolvendo todos os concelhos interessados, incluindo o município vizinho de Paços de Ferreira, que partilha com Felgueiras as limitações decorrentes de não ter no seu território o transporte ferroviário, apesar da sua maior proximidade ao Porto.

“Vamos lutar em conjunto para que o país perceba a importância de fazer chegar o comboio a Felgueiras, passando também por Paços de Ferreira”, acentuou, defendendo que o impulso que aquele investimento daria à economia dos dois concelhos rapidamente amortizaria o investimento do país na construção da desejada infraestrutura ferroviária.

O reforço da mobilidade entre os vários concelhos do Vale do Sousa, acentuando a coesão do território, é outra vantagem que decorre da eventual construção da infraestrutura ferroviária, rematou Nuno Fonseca.

Armindo Mendes / Lusa

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