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O ‘ranking’ dos municípios!

Já se sabe que o ‘ranking’ dos municípios portugueses elaborado pela Ordem dos Economistas revela indicadores pouco abonatórios no que se refere a Felgueiras.

O Expresso de Felgueiras, como ocorreu no passado com outros ‘rankings’, elaborou um artigo que revela os dados principais apurados naquele estudo da Ordem dos Economistas.

Os dados são públicos e quem quiser pode consultá-los. Valem o que valem, não são uma verdade absoluta e podem ser questionados, atentos os critérios da sua elaboração mais ou menos assertivos.

Contudo, voltando ao famigerado ‘ranking’, no indicador que mais afere a ‘performance’ da autarquia, designado no estudo “Governação”, Felgueiras é o pior colocado entre os municípios do Vale do Sousa, bastante atrás de Paredes, Lousada, Paços de Ferreira, Castelo de Paiva e Penafiel.

Goste-se ou não, são dados apurados por uma entidade independente e, por isso, credores de, pelo menos, alguma ponderação substantiva.

Ignorar ou depreciar aquele resultado, como se intuiu em algumas reações de descontentamento, não parece ser uma atitude sensata, independentemente da motivação política ou outra de cada um, mas deixemos essa conjetura para “outras núpcias”.

Nos restantes três indicadores do estudo, nomeadamente serviços prestados aos cidadãos e sustentabilidade financeira do município, os resultados também não são animadores no contexto do Vale de Sousa e do resto do país, embora menos penalizadores do que no parâmetro Governação. Estar-se no 169º lugar entre os 308 municípios do país ao nível dos serviços aos cidadãos e no 184º lugar no parâmetro da sustentabilidade financeira não constituirá motivo de preocupação para os felgueirenses?

Neste estudo da Ordem dos Economistas, só no indicador do desenvolvimento económico, aquele que menos tem a ver diretamente com a autarquia, é que Felgueiras aparece mais bem colocado na ‘ranking’. Graças ao seu pujante setor industrial, o concelho ocupa o 42º lugar em termos nacionais, assumindo-se como o mais bem posicionado no Vale do Sousa. Mérito para os empresários, mas também para os milhares de trabalhadores.

 

O PSD de Inácio Ribeiro “não fica bem na fotografia”

 

Algumas reações exacerbadas aos indicadores, que observámos nas redes sociais, com um argumentário aparentemente desmentido pela frieza dos números, são surpreendentes e revelam um inusitado nervosismo, na medida em que a responsabilidade pelos resultados pouco abonatórios para o concelho, apurados em 2018 (primeiro ano do atual executivo), deve ser imputada, sobretudo, aos oito anos de gestão PSD de Inácio Ribeiro e, talvez em menor escala, por ter sido num momento histórico mais remoto, aos mandatos anteriores de Fátima Felgueiras. Note-se que foram as opções políticas erróneas nesses períodos, em especial da gestão PSD, que conduziram a autarquia às atuais dificuldades, emergindo o gravíssimo problema do aterro de Sendim como a pior herança deixada por Inácio Ribeiro.

Mas, ironicamente, a maioria dos felgueirenses acabou por dar razão àqueles números do estudo, porque castigou Inácio Ribeiro com uma pesada derrota eleitoral, como já tinham feito a Fátima Felgueiras, exibindo assim o seu profundo descontentamento com o rumo tomado por aqueles antigos presidentes de câmara.

Mas, questionar-se-á agora: deve o atual executivo de Nuno Fonseca ser responsabilizado politicamente pelos resultados verificados em 2018 pela Ordem dos Economistas? Em abono da verdade, só residualmente.

Note-se que tinham passado poucos meses da gestão que fora eleita em outubro de 2017. Estava-se ainda no início do mandato e, por conseguinte, não havia passado tempo bastante para se notar as mudanças que Nuno Fonseca prometera ao eleitorado.

Não é num ano ou dois que se consegue inverter políticas e opções de muito anos.

Há que dar tempo ao tempo para se perceber se a atual gestão está a trabalhar para colocar Felgueiras nos lugares que merece.

Esse escrutínio será feito no tempo próprio, desde logo quando se souber a avaliação que a Ordem dos Economistas fará previsivelmente em 2020.

No entanto, os resultados conhecidos de 2018 não podem servir para algumas pessoas, independentemente da política que professam, meterem a cabeça na areia, ignorando ou tentando contrariar as fragilidades identificadas na nossa autarquia! A manter-se, esse seria um erro que indiciaria inabilidade política e que se pode revelar fatal, como se observou no passado com outros protagonistas!

Há que olhar para esses indicadores, identificar as causas e trabalhar em medidas que permitam invertê-los, tão rapidamente quanto possível, porque os felgueirenses são exigentes!

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