Está em
Início > Opinião > Oportunidade (infelizmente) perdida…

Oportunidade (infelizmente) perdida…

A curiosidade tem levado muitos felgueirenses à Avenida Agostinho Ribeiro em Felgueiras para aferir in loco ao progresso dos trabalhos de demolição da antiga Fábrica da Bouça (Antero Teixeira da Cunha), uma empresa histórica e com história no concelho onde trabalharam várias gerações de nossos antepassados (meus também) – por vezes famílias quase inteiras -, que não resistiu ao avanço do tempo, acabando por se transformar num “monstro” imobiliário abandonado indesejado por vários motivos (ambiente, segurança pública)! É certo que a sua continuidade de laboração naquela localização não seria possível nos dias de hoje por várias razões, entre as quais o custo ambiental que representaria uma unidade industrial têxtil a laborar quase em pleno coração da cidade implantada entre edifícios residenciais. Mas, infelizmente, não foi necessário estudar e exigir a sua relocalização uma vez que a empresa se tornou uma memória do passado e o espaço ocupado foi alvo de venda em leilão depois de em 2007 ter sido coercivamente encerrada devido a falta de condições de segurança numa altura em tinha cerca de 100 funcionários. Desses tempos de grande pujança industrial têxtil em Felgueiras resta – ainda -, a unidade industrial onde funcionou a Belcor. Recomenda o bom senso do planeamento da cidade que a “transformação” deste imobiliário industrial seja alvo de decisões pensadas, sustentadas e útil para a cidade e principalmente para os seus cidadãos. Tome-se como exemplo aquilo que foi feito em Guimarães aquando da iniciativa Capital Europeia da Cultura com a transformação de espaços industriais e comerciais em pólos culturais!

O encerramento da “Fábrica da Bouça” constituiu-se como o epílogo de uma era industrial no concelho marcado pela predominância das indústrias têxtil e metalúrgica (a incontornável Metalúrgica da Longra), e a aurora do crescimento exponencial da indústria do calçado que contribuiu para a afirmação de Felgueiras como um dos mais importantes produtores a nível nacional e exportador de referência. No entanto, contribuiu também para a existência de um cenário de mono-indústria que ciclicamente (a cada novo problema) causa problemas económicos e sociais. E enquanto outros concelhos – como por exemplo Penafiel -, têm investido energia na diversificação da atividade no seu espaço territorial, em Felgueiras não se conhecem iniciativas do mesmo tipo. Mas voltemos ao espaço da antiga “Bouça”, que deveria ser central na organização da cidade sede de concelho, e constitui-se como uma oportunidade desperdiçada de (re)organização da cidade…

O planeamento a médio prazo de Felgueiras, ou melhor a falta dele, levou a que se desperdiçasse a oportunidade de entregar aos felgueirenses um espaço transformado em área de lazer e de cultura, onde pudesse ser implementada uma área verde, um auditório ao ar livre, um espaço museológico dedicado à indústria do calçado. Mas nada disso aconteceu, e será implementado quase no coração da cidade, envolvido por zonas residenciais, pelo quarteirão das artes, pelas Portas da Cidade, uma nova área comercial de envergadura considerável! Nada contra o desenvolvimento e a criação de áreas comerciais, mas tudo contra que isso aconteça à custa do desperdício de espaços que deveriam ser utilizados de forma sustentável para a população. E isto acontece porque não existiu vontade e capacidade política de projetar o ordenamento futuro de um espaço territorial.

Por isto, para mim é claro que na liderança de um Executivo Municipal não se pretende alguém que se comporte como Regedor mas sim como Presidente de Câmara, atento ao presente mas principalmente capaz de projetar e criar condições para a sustentabilidade de desenvolvimento social, económico, ambiental, etc…

Top
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com