Presidente da Câmara de Fafe e independentes concorrem juntos em lista do PS

O presidente da Câmara de Fafe e o líder do Movimento de Cidadãos Independentes por Fafe, adversários nas autárquicas de 2013, separados por 15 votos, anunciaram hoje que vão concorrer juntos às autárquicas, numa lista do PS.

Sentados lado a lado no auditório da biblioteca municipal, Raul Cunha e Parcídio Summavielle elogiaram-se reciprocamente, reconheceram o caráter “histórico” do momento e explicaram aos presentes, que enchiam a sala, que o entendimento entre ambos tem como principal objetivo alcançar estabilidade política para o concelho e promover o seu desenvolvimento.

Em 2013, a votação em Fafe foi uma das mais renhidas do país, obrigando, em clima de grande tensão, à recontagem dos votos para se apurar o resultado final. O resultado ditou uma vitória apertada do PS, o qual, em minoria no executivo, acabou por celebrar um acordo de governação com o PSD, ficando os independentes na oposição.

O final deste mandato está também a ficar marcado por uma divisão no PS local, com a direção concelhia, liderada pelo antigo presidente da Câmara, José Ribeiro, a decidir apoiar outra candidatura, que não Raul Cunha, e a direção nacional, posteriormente, a avocar o processo eleitoral, indicando que o atual presidente será o cabeça-de-lista socialista.

A concelhia confirmou hoje, em comunicado, que vai impugnar a decisão da comissão política nacional, por considerá-la ilegal.

Raul Cunha 5

Na sessão de hoje, Raul Cunha reconheceu a “turbulência” interna no PS, que atribuiu a consequências do que ocorreu em 2013, quando o partido também se dividiu na escolha do candidato, mas assinalou não estar disponível para alimentar polémicas.

Sobre o acordo que “foi possível construir” com os independentes, afirmou que dá primazia “aos interesses da Fafe e dos fafenses”, ao mesmo tempo que vai permitir “reconciliar o PS com o seu passado”, nomeadamente com pessoas que se encontravam afastadas do partido.

O chefe do executivo elogiou a cooperação do vereador sem pelouros Parcídio Summavielle ao longo do mandato, apesar de terem sido adversários nas autárquicas de 2013.

O presidente da Câmara afirmou, por outro lado, que o PS “não excluiu ninguém neste processo, só não está disponível para alimentar intrigas”, prometendo que o projeto aponta para um horizonte temporal de pelo menos oito anos.

Parcídio Summavielle

Parcídio Summavielle recordou, por seu turno, que o resultado de 2013 fazia adivinhar um mandato marcado por “um clima de confronto”, o que não veio a ocorrer.

Isso deveu-se, acrescentou, ao espírito de “diálogo e compromisso a bem de Fafe” protagonizado pelo presidente da Câmara.

O líder dos independentes recordou que seria a pessoa mais bem colocada para interromper a governação de Raul Cunha, atendendo ao momento de divisão que o PS atravessa no concelho, mas foi “julgamento consensual” do Movimento de Cidadãos Independentes por Fafe que “o presidente fez um bom trabalho”.

“A partir de hoje, é o nosso candidato e ser-lhe-emos leais”, afirmou Summavielle, prometendo “estabilidade alicerçada no excelente” entendimento que ambos tiveram neste mandato.

E concluiu: “Temos a convicção profunda de que é melhor solução que serve o concelho de Fafe”.

APM // MSP

Lusa/fim