PSD acusa Nuno Fonseca de ter mentido sobre saúde financeira da câmara

O PSD/Felgueiras acusou hoje o presidente da câmara, Nuno Fonseca, de ter mentido sobre a saúde financeira do município, uma vez que a recente auditoria concluiu que as contas da gestão social-democrata “eram boas”.

“Nestes últimos 20 meses, o atual executivo, presidido por Nuno Fonseca [PS/Livre], mentiu aos felgueirenses quanto à saúde financeira da Câmara de Felgueiras, construindo um conjunto de falsidades sobre a pesada herança que o executivo do PSD lhes deixou. Quem o diz são os auditores do relatório da auditoria às contas da câmara, solicitada pela bancada do PSD na Assembleia Municipal, que demonstra, sem margem para qualquer dúvida, que as finanças do município estão muito bem e recomendam-se”, pode ler-se num documento distribuído hoje aos jornalistas.

 

“Deixamos uma boa herança”

Em conferência de imprensa realizada na sede local, com a presença de Alírio Costa, presidente da concelhia, do vereador João Sousa e do deputado municipal Leonel Costa, o PSD anotou que, “afinal, a montanha pariu um rato”, sublinhando que o atual executivo socialista “recebeu [no início do atual mandato] uma boa herança, nomeadamente com “contas em dia, saúde financeira e grande margem de endividamento”.

“Podemos concluir que todas as falsidades lançadas para a opinião pública apenas pretenderam denegrir o anterior executivo e atingir pessoalmente o anterior presidente e os vereadores que fizeram parte da sua equipa”, lê-se no documento lido hoje aos jornalistas.

No início do mandato, numa intervenção na assembleia municipal, o presidente Nuno Fonseca, que fora eleito em outubro de 2017, tinha manifestado preocupação com a situação financeira difícil que dizia ter encontrado na câmara.

Nuno Fonseca enumerou alguns compromissos financeiros herdados da anterior gestão social-democrata, os quais, frisou, se traduziam para a autarquia, no primeiro semestre de 2018, num passivo de três milhões de euros.

Referiu também que o total dos compromissos para os anos seguintes estaria nos 20 milhões de euros” e que esses indicadores seriam refletidos na auditoria.

Conferência de imprensa PSD sobre auditoria2

O PSD lembrou hoje que a auditoria “foi usada durante meses como ameaça e, simultaneamente, como insinuação de que havia situações graves e ilegais nas finanças municipais que deveriam ser auditadas, pois alegava que tinha recebido uma pesada herança, uma câmara sem recursos, provavelmente quase falida”.

Insistindo que os argumentos do presidente eram “totalmente falsos” e constituíam “uma mentira monumental” e uma “manipulação dos felgueirenses”, o PSD insistiu que no final do anterior mandato, de gestão social-democrata, tinha deixado mais de 6,5 milhões de euros de depósitos bancários, fundos disponíveis de quase 19 milhões de euros e um prazo médio a pagamento a fornecedores de nove dias.

“Deixámos a câmara numa situação invejável. A situação, em 2017, era altamente favorável, das melhores do país. Nuno Fonseca herdou uma câmara financeiramente saudável, que fazia inveja à maioria dos presidentes de câmara do país”, segundo aquele partido.

Conferência de imprensa PSD sobre auditoria_Alírio Costa

O líder da concelhia, Alírio Costa, desafiou Nuno Fonseca “a pedir desculpas aos felgueirenses”:

“Se não quiser dar o braço a torcer por ter denegrido e tentado enxovalhar os dois executivos PSD, ao menos que se penitencie por estar mal informado e por ter tentado enganar os felgueirenses sobre a excelente situação financeira que herdou”.

No final, o PSD criticou também o facto de não ter sido constituída uma comissão de acompanhamento da auditoria, como tinha sido deliberado pela assembleia municipal, e o facto de o relatório com as conclusões não ter sido formalmente comunicado pelo presidente da câmara aos vereadores da oposição, violando o que determina a lei.

 

Nuno Fonseca promete responder na assembleia municipal desta quinta-feira

A nossa redação contactou, entretanto, a Câmara de Felgueiras para obter uma posição sobre a matéria.

Fonte do gabinete do presidente disse que Nuno Fonseca só se vai pronunciar sobre o assunto na próxima assembleia municipal, marcada para esta quinta-feira, por ter sido aquele órgão autárquico a requerer a realização da auditoria.

A matéria consta da ordem de trabalhos da Assembleia Municipal ordinária de junho.