PSD/Porto alerta para “crime ambiental” com descargas de ETAR de Paços de Ferreira

 

O deputado e líder da distrital do Porto do PSD, Virgílio Macedo, exigiu hoje ao Governo que acabe com o “crime ambiental” das alegadas descargas poluentes, no rio Ferreira, de uma estação de tratamento de esgotos de Paços de Ferreira.

“Isto é um crime ambiental que está a ser feito a Paredes. Vou exigir ao Governo que a legislação ambiental seja cumprida. Ninguém pode escusar-se em questões orçamentais para não cumprir a legislação”, afirmou o deputado.

Virgílio Macedo falava em Paredes, depois de ter visitado, acompanhado de outros deputados e autarcas locais, o rio Ferreira (afluente do rio Sousa), junto ao parque de lazer de Lordelo.

Os deputados foram informados pelo presidente da Junta de Lordelo, Nuno Serra, das alegadas descargas poluentes, realizadas há cerca de duas décadas, a montante, já no concelho de Paços de Ferreira, por uma estação de tratamento de águas residuais, situada na localidade de Arreigada.

Os sinais das descargas são mais percetíveis no verão, quando o caudal é menor, prejudicando, segundo a autarquia local, a fruição do parque de lazer construído junto à linha de água.

Virgílio Macedo disse que se trata de “uma questão muito antiga e perfeitamente identificada”, acrescentando que o anterior Governo iniciou o processo para a resolver”.

“O anterior Governo exigiu à APA [Agência Portuguesa do Ambiente] que tomasse medidas para identificar se a ETAR, a montante, está ou não a cumprir a lei. E, identificando a situação, no âmbito do Portugal 2020, que este projeto fosse contemplado para definitivamente se resolver a situação”, assinalou.

O deputado acrescentou que o Grupo Parlamentar do PSD, na Assembleia da República, vai apresentar uma pergunta ao ministro do Ambiente, nomeadamente para saber se a APA já fiscalizou as descargas efetuadas pela ETAR de Paços de Ferreira e o que foi feito pelo atual executivo para resolver o problema.

Virgílio Macedo frisou haver neste momento verbas da União Europeia que podem assegurar a comparticipação da construção de uma nova ETAR em Paços de Ferreira, cabendo à tutela assumir uma pequena parte de 300.000 a 400.000 euros.

O presidente da Junta Lordelo tinha dito hoje aos jornalistas ter-se reunido com responsáveis da empresa que gere a ETAR (Águas de Paços de Ferreira) e autarcas de Paços de Ferreira, que terão reconhecido a situação, alegando que o problema não teria ainda sido resolvido por falta de recursos financeiros para construir um novo equipamento.

A propósito, o presidente da Câmara de Paredes, Celso Ferreira, que acompanhava Virgílio Macedo, disse hoje “nada ter a ver com os problemas internos de Paços de Ferreira”.

No entanto, frisou, “este é um problema que parte de decisões de outro município e, por esse motivo, pede-se que haja bom senso, respeito e pragmatismo”.

E acrescentou: “Nós também já tivemos problemas desta natureza no passado e resolvemo-los. Aqui, o que se espera é que cada um faça o trabalho de casa, faça a sua parte”.

O social-democrata Celso Ferreira alerta que se está perante “um problema de saúde pública”, dizendo-se “espantado” por as autoridades responsáveis pela área do ambiente não terem aprofundado devidamente esse dossiê”.

 

APM // MSP

Lusa/fim