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Retrovisor

Antes de qualquer outra consideração aos meus leitores (onde se incluem: os que gostam, os que não gostam, os que concordam, os que discordam, os que lêem para poderem apenas emitir opinião sobre o conteúdo ou o autor sem qualquer reflexão crítica, e os outros que constroem as suas agendas a partir do que escrevo e/ou digo) votos de um Feliz Ano Novo!

O título para esta crónica (crónicas que são de análise e intervenção política principalmente local) de partida em 2019 foi relativamente fácil de escolher entre duas alternativas: memória ou retrovisor. Como memória pressupõe a existência de momentos marcantes que perdurarão no tempo e contribuem significamente para a sociedade, escolhi retrovisor porque aquilo que ficou em 2018 foram essencialmente momentos efémeros com um objetivo claro (por parte do Executivo Municipal) de elevar o reconhecimento popular e mediático, estratégia que pelo que é a percepção empírica resultou!

A cada novo ano é prática corrente uma revisão da matéria dada ao nível dos acontecimentos e das personalidades. Em Felgueiras, no que ao exercício da política diz respeito, classifiquei os protagonistas em dois quadrantes: positivo e negativo. E ainda antes de vos esclarecer e reafirmar as escolhas (provavelmente já as ouviram no Política em Dia na Rádio Felgueiras), confesso-vos que foram escolhas bastante óbvias e sem dificuldade de “eleição”.

Se politicamente pela negativa escolhi Alírio Costa (Presidente da Comissão Política do PSD/Felgueiras) e Carla Carvalho (ex-Presidente da Comissão Política do CDS-PP/Felgueiras), no quadrante positivo foi incontornável não colocar: Nuno Fonseca (Presidente de Câmara), João Sousa (Vereador do PSD), Marco Silva (Líder da Bancada Parlamentar do Sim, Acredita!, e Leonel Costa (ex-Líder da Bancada Parlamentar do PSD).

Com a certeza que os que têm a paciência de me ler não pertencem ao grupo de pessoas que Ricardo Araújo Pereira – em crónica na Folha de São Paulo e no seu livro Estar Vivo Aleija (leitura recomenda-se) – classifica como pessoas que se dedicam “mais ao comentário do que à leitura, como os próprios comentários costumam evidenciar”, passo a explicar: Alírio Costa destacou-se notoriamente pela negativa uma vez que em 2018 a estrutura local do PSD não foi capaz de apresentar e implementar uma estratégia política de alternativa, de intervenção de Oposição. Não fosse a intervenção política dos vereadores do PSD e de alguns deputados na Assembleia Municipal e o PSD teria tido um ano em que passaria completamente ao lado da política local. Talvez estes sejam sinais de que a estrutura em Felgueiras necessita de nova liderança, e que a mesma irá inevitavelmente passar por personalidades combativas e descomprometidas. Quanto a Carla Carvalho, curiosamente esteve ligada ao melhor e ao pior do CDS nos anos mais recentes: em 2013 revelou-se uma política inteligente, competente, combativa. A partir daí foi perdendo força e depois da sua eleição para a Assembleia Municipal em 2017 e, principalmente da sua nomeação para um cargo de Chefia pelo atual Executivo Municipal, literalmente “desapareceu” do palco político!

Pela positiva identifiquei Nuno Fonseca porque foi capaz de elevar a fasquia do reconhecimento público e de satisfação do povo – principal e fundamentalmente pela realização de eventos e festividades -, e porque conseguiu em Português suave no mínimo condicionar a intervenção política de praticamente todas as estruturas partidárias, leia-se PS, PSD e CDS-PP. Uns por acondicionamento/domínio, outros por claro pelo menos condicionamento.

Agora recomenda-se na passagem voraz dos dias deste novo ano não ficar pela espuma dos dias, nem por mentiras, ou interpretações de políticos alfabeticamente impreparados para que em 2020 a crónica sobre 2019 possa ter como título: Memórias. Mais ainda num ano tão exigente politicamente!

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