Tempo de acordar!…

Os resultados das Eleições Legislativas de domingo 6 de outubro confirmaram aquilo que era esperado: (i) vitória incontestada do Partido Socialista embora minoritária – António Costa chegou a acreditar que poderia vir a ter maioria, e nessa altura coincidente com os debates televisivos demonstrou desinteresse e alheamento do debate/confronto político e, depois quando essa possibilidade se foi esfumando sobressaiu irritação e nervosismo -; (ii) mau resultado para o PSD com uma diferença de aproximadamente 10 pontos percentuais entre PS e PSD (confirmando-se que o resultado só foi menos mau porque as expectativas estavam niveladas por baixo); (iii) minimização da presença do CDS-PP; (iv) manutenção do Bloco de Esquerda e, (v) recuo do PCP. E estas duas últimas confirmações são más notícias para o próximo ciclo legislativo: o PCP vai voltar a assumir a sua independência, solto da amarra de um acordo escrito de legislatura, o que se traduzirá no fim da paz social, e consequentemente, as greves e manifestações voltarão ao cardápio da contestação sindical nas ruas. Se a questão da recuperação do tempo dos professores, se as reivindicações dos motorista de matérias perigosas, se a luta por melhores condições dos enfermeiros tivessem acontecido num tempo em que o PCP (e os sindicatos onde tem ascendente) não estivesse alinhado com o Governo, estas lutas tinha sido politicamente muito mais “musculadas”.

 

Perante este cenário pós-eleitoral António Costa terá que, inevitavelmente, “casar-se” com o Bloco de Esquerda, um partido que demonstrou ao longo da campanha estar definitivamente aburguesado e é credível que a sua típica sobranceria causará dificuldades na governação! Perante isto, antevejo que, apesar de um melhor resultado eleitoral merecido e por mérito próprio de uma governação bem sucedida a vários níveis com benefício claro nas pessoas e no país, António Costa terá um mandato bem mais difícil do que o anterior. E os sintomas são mesmo esses: a comitiva que visitou os partidos da esquerda foi composta pelas figuras maiores do PS (Presidente, Secretário Geral, Secretária Geral Adjunta), e sem a presença da da figura maior que geriu, e muito bem, a ‘geringonça’, Pedro Nuno Santos… Talvez sintomático do que virá a seguir!

 

“A INDICAÇÃO DE ANTÓNIO FARIA, A DEMISSÃO DE MIGUEL FARIA, SÃO APENAS SINAIS MAIORES DO QUE ACONTECE NA ESTRUTURA CONCELHIA DO PS/FELGUEIRAS”

 

Mantendo a análise ainda nos resultados de 6 de outubro, mas agora com foco em Felgueiras, o PS obteve um resultado muito interessante. Deve reconhecer-se que foi, sem dúvida, a estrutura político-partidária concelhia com maior empenho (embora também não tenha sido muito relevante nem alargado), apesar de ser uma estrutura em indisfarçável ebulição interna, onde se fazem cada vez mais notar as vozes críticas indignadas com a subjugação do partido aos mentores do Sim, Acredita!

A indicação de António Faria, a demissão de Miguel Faria, são apenas sinais maiores do que acontece na estrutura concelhia do PS/Felgueiras que continua a ser liderada por uma mão que já nem se esconde atrás do arbusto!

Os resultados e a vitória do PS no concelho, apesar de não poderem ser extrapolados de forma automática, confirmam que sem o apoio do Partido Socialista a estrutura do Sim, Acredita dificilmente, ou impossivelmente, seria poder. E mais, sabe que sem o apoio do PS/Felgueiras terá dificuldade em renovar o seu mandato, e por isso é que se justificam as ações, umas descaradamente públicas e outras indisfarçadamente públicas sob o manto de procedimentos pelo menos eticamente reprováveis…

Sobre o PSD/Felgueiras não há muito a dizer sobre uma estrutura que passou completamente ao lado deste ato eleitoral, onde até tinha uma figura muito relevante – Leonel Costa -, a ocupar um lugar na lista com possibilidades de eleição, e lugar na lista que, possivelmente, só não foi melhor também pela incapacidade política do líder da concelhia Alírio Costa, que manifestou o seu regozijo pelos “excelentes resultados” do PSD no distrito do Porto, quando, em Felgueiras, “levou uma banhada”! Isto é sintomático de que o tempo do atual Presidente da Concelhia do PSD/Felgueiras terminou e que deveria sair pelo menos pelo seu pé a bem do concelho!

 

O concelho necessita de estrutura político-partidárias fortes, de forma não apenas a exercer de forma ativa a fiscalização da atividade municipal, e que sejam capazes de mobilizar a consciência social e política dos felgueirenses, com propostas que melhorem a vida no concelho. Não é possível continuar o silêncio sobre o adiamento da revisão do PDM, não é possível continuar a desconhecer-se o relatório de encerramento do aterro municipal, não é possível continuar a esquecer as dificuldades de mobilidade pública no concelho, não é possível continuar a aceitar uma rede viária degradada e com manutenção deficiente, e por aí adiante…

 

Se as estruturas partidárias não acordarem rapidamente, talvez venha a ser tarde!