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Crise/Medidas: Augusto Mateus defende mais iniciativas do lado da despesa (COM ÁUDIO)
(18-05-2010)


Crise/Medidas: Augusto Mateus defende mais iniciativas do lado da despesa (COM ÁUDIO)

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O economista insistiu ainda na necessidade das medidas serem "bem explicadas" às pessoas e às empresas


Armindo Mendes/Lusa




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 Paredes, 17 mai (Lusa) - O antigo ministro da Economia, Augusto Mateus, considerou hoje, em declarações à Lusa, que as medidas do Governo para combater a crise fazem sentido, mas sublinhou que "é preciso tomar medidas ao nível da despesa corrente".
"Todas as medidas fazem sentido, mas é preciso tomar medidas ao nível da despesa corrente. Essas medidas têm que ser coerentes. Algumas não são. Faltam medidas de incentivo à poupança, faltam medidas de investimento inteligente, como é o caso da regeneração urbana, por exemplo, que não vão resolver nada nos próximos dois anos, mas são fundamentais para um crescimento económico depois de 2013 e 2014. Faltam medidas de apoio à internacionalização da nossa economia. É preciso que a nossa economia produza mais bens e serviços transacionáveis, que tenha maior capacidade de exportação", defendeu.
Para Augusto Mateus, "faltam medidas de reestruturação do Estado e da despesa pública que nos permitam duradoiramente desendividar o país".
"Não bastam medidas avulsas, são precisas medidas sistemáticas. Não se pode governar para a comunicação social ou para interlocutores externos. Tem de se governar para produzir resultados", observou.
O economista insistiu ainda na necessidade das medidas serem "bem explicadas" às pessoas e às empresas.
"É preciso explicar bem às pessoas o porquê desta situação. É preciso explicar aos agentes económicos do ponto de vista dos seus comportamentos de consumo, de investimento e poupança", acrescentou.
O antigo ministro da Economia sublinhou que a crise só será vencida se as pessoas perceberem que "têm de fazer sacrifícios".
"Têm de sacrificar o seu nível de vida e de projetos. Mas só vale a pena fazer isso se for para sair da crise. Se for para ficar tudo na mesma, não vale a pena", concluiu.
A nível do sistema financeiro mundial, Augusto Mateus considerou que "temos de ter uma economia mundial menos especulativa, em que, sem tolher a mobilidade de movimentos de capitais, não se pode ter tanta volatilidade ao nível das taxas de câmbio", afirmou.
Augusto Mateus falava hoje à Lusa em Lordelo, Paredes, à margem das jornadas de modernização autárquica promovidas pela câmara local e pela empresa Smart Vision.
Segundo Augusto Mateus, "o sistema monetário internacional tem de ser reconstruído", acrescentando que "há um conjunto de coisas que têm de se fazer à escala do mundo e não à escala de cada país".
Só assim - afirmou - "vai ser possível regular a economia mundial, nomeadamente travar aquilo que é a instabilidade associada a um conjunto de regras atuais".
O Governo anunciou a 13 de maio um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução do défice para 7,3 por cento este ano e 4,6 por cento em 2011.

APM.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/fim 



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