O economista insistiu ainda na necessidade das medidas serem "bem explicadas" às pessoas e às empresas
Armindo Mendes/Lusa
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Paredes, 17 mai (Lusa) - O antigo ministro da Economia, Augusto Mateus, considerou hoje, em declarações à Lusa, que as medidas do Governo para combater a crise fazem sentido, mas sublinhou que "é preciso tomar medidas ao nível da despesa corrente". "Todas as medidas fazem sentido, mas é preciso tomar medidas ao nível da despesa corrente. Essas medidas têm que ser coerentes. Algumas não são. Faltam medidas de incentivo à poupança, faltam medidas de investimento inteligente, como é o caso da regeneração urbana, por exemplo, que não vão resolver nada nos próximos dois anos, mas são fundamentais para um crescimento económico depois de 2013 e 2014. Faltam medidas de apoio à internacionalização da nossa economia. É preciso que a nossa economia produza mais bens e serviços transacionáveis, que tenha maior capacidade de exportação", defendeu. Para Augusto Mateus, "faltam medidas de reestruturação do Estado e da despesa pública que nos permitam duradoiramente desendividar o país". "Não bastam medidas avulsas, são precisas medidas sistemáticas. Não se pode governar para a comunicação social ou para interlocutores externos. Tem de se governar para produzir resultados", observou. O economista insistiu ainda na necessidade das medidas serem "bem explicadas" às pessoas e às empresas. "É preciso explicar bem às pessoas o porquê desta situação. É preciso explicar aos agentes económicos do ponto de vista dos seus comportamentos de consumo, de investimento e poupança", acrescentou. O antigo ministro da Economia sublinhou que a crise só será vencida se as pessoas perceberem que "têm de fazer sacrifícios". "Têm de sacrificar o seu nível de vida e de projetos. Mas só vale a pena fazer isso se for para sair da crise. Se for para ficar tudo na mesma, não vale a pena", concluiu. A nível do sistema financeiro mundial, Augusto Mateus considerou que "temos de ter uma economia mundial menos especulativa, em que, sem tolher a mobilidade de movimentos de capitais, não se pode ter tanta volatilidade ao nível das taxas de câmbio", afirmou. Augusto Mateus falava hoje à Lusa em Lordelo, Paredes, à margem das jornadas de modernização autárquica promovidas pela câmara local e pela empresa Smart Vision. Segundo Augusto Mateus, "o sistema monetário internacional tem de ser reconstruído", acrescentando que "há um conjunto de coisas que têm de se fazer à escala do mundo e não à escala de cada país". Só assim - afirmou - "vai ser possível regular a economia mundial, nomeadamente travar aquilo que é a instabilidade associada a um conjunto de regras atuais". O Governo anunciou a 13 de maio um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução do défice para 7,3 por cento este ano e 4,6 por cento em 2011.
APM. *** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico *** Lusa/fim
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Expresso de Felgueiras
edição n.º10523-07-2010
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