“2023 pelo retrovisor”

Chegados aos últimos dias do ano, inevitavelmente este é tempo de balanços, de olhar para o retrovisor. Por isso, aqui fica um muito resumido exercício de reflexão, focado no cenário concelhio.

 

“A cultura ausente”

É inquestionável que depois de Fátima Felgueiras, a política cultural municipal tem sofrido um decréscimo de atividade, e regularidade, que atingiu o seu ponto mais baixo com este executivo.  E quase que não falta nenhum ingrediente: falta de estratégia; aposta em eventos populares “mascarados” de culturais; principais pólos culturais encerrados há demasiado tempo (a Casa das Artes desde 2020, e o Sentium Aula ainda nem sequer franqueou as suas portas). 

No entanto a ACLEM continua em atividade…

A promessa da autarquia é que no próximo ano, é que será! Veremos se será mesmo em 2024 porque a promessa tem-se arrastado de ano para ano…

No panorama cultural, tem valido aos felgueirenses a atividade de associações, de pessoas individuais, e de algumas entidades educativas, às quais sobra o engenho e a capacidade de fazer, e falta muitas vezes o apoio devido de quem não faz…

 

“A democracia ‘doente’”

Felgueiras certamente é um caso de estudo nacional no que à política-partidária concelhia diz respeito. O poder “mascarado” de independente domina e controla a estrutura do Partido Socialista; o PSD vive em letargia, sem exercício relevante da atividade de oposição fiscalizadora e alternativa, esperando novos dias que parecem adiados!

Mas faltam, também,  à democracia felgueirense outras forças partidárias que esmoreceram o combate político: o CDS, o PCP, o Bloco de Esquerda, e até a neófita Iniciativa Liberal.

Ainda sobre sintomas de “doença democrática”, não deixa de ser no mínimo estranho, e sinal de grande preocupação, que vários intervenientes numa sessão pública da Assembleia Municipal, que é o órgão fiscalizador da atividade do executivo, aberta à participação e assistência dos munícipes, não tivessem autorizado a difusão das suas intervenções, coartando de forma grave o acesso à informação por toda a comunidade felgueirense!

Atitude que aconteceu a meses da comemoração dos 50 anos do 25 de abril! Em perspetiva teremos certamente esses protagonistas com palavras e sinais exteriores de grande amor a essa data da nossa história contemporânea. 

 

“O investimento público de campo inclinado”

Se António Guterres teve a paixão pela educação, o executivo autárquico depois de assumir como desígnio o saneamento, que vai sendo cumprido a uma velocidade  abaixo da prometida, está “apaixonado” de forma assolapado por Barrancas, direcionando uma grande fatia do investimento autárquico para a Zona de Acolhimento Empresarial que está a ser criado naquele território do concelho.

Sem dúvida que os princípios são corretos, concentrar a indústria numa área condignamente estruturada e diversificar o tecido económico concelhio, mas já os investimentos, em quantidade e valor, levantam algumas reservas. E aqui é incontornável destacar um ajuste direto de 4,5 milhões de euros. Leu bem, ajuste direto!

Entretanto, finalmente, a variante de Moure a Cabeça de Porca irá avançar, sem qualquer custo para o município, o que é positivo, mas não apaga a morosidade do processo, quando outros concelhos, ao abrigo do mesmo programa de investimentos, já concluíram e inauguraram as suas obras!

Já transitar na rede viária municipal existente é um pesadelo pela qualidade, falta dela, que afeta todos, todos, todos. Das freguesias aos pólos urbanos!

 

“Desporto sem “casas” condignas”

É visível a olho nú a qualidade das principais infraestruturas municipais do concelho: o Estádio Dr. Machado de Matos, o Estádio Senhor do Amparo, a Zona Desportiva de Felgueiras (ZDF).

Sobre a ZDF a situação é ainda mais grave, e tem que ser necessariamente amplificada, porque é um local de formação de atletas. E não, não é apenas o piso sintético do campo de futebol. É também a pista de atletismo, são também outras valências disponibilizadas no mesmo espaço.

Mesmo assim, os atletas, as equipas vão conseguindo alcançar resultados que orgulham e merecedores dos maiores encómios, mesmo que faltam condições adequadas de treino e desenvolvimento desportivo.

 

Como a prosa já vai longa, proponho que, por agora, brindemos ao Ano Novo, e que voltemos ao balanço e às expectativas já em 2024.

Feliz Ano Novo!