“1.ª parte…”

Com a abertura das “hostilidades” e do período oficial de campanha, os intervenientes no processo eleitoral autárquico tiveram mesmo que entrar em campo para a primeira parte do “encontro”. Uns entraram na máxima força não escondendo os jogadores funcionando como equipa, e outros optaram por concentrar as “luzes do barulho das estrelas” apenas no “craque” da equipa. Contudo, este é o tempo em que a campanha das candidaturas está na rua aproveitando para apresentar as suas cores (e slogans), os seus membris, e as suas propostas! Claro que caem também na tentação chamada de populismo: populismo nas propostas, e nas ações de rua que realizam… Mas, feliz ou infelizmente faz parte de cada campanha eleitoral!…

A propósito de ações de campanha, a propósito de comícios, no passado eram realizados comícios avaliados consoante a qualidade oratório dos intervenientes; depois existiu um tempo em que se adicionou música aos oradores; mais tarde juntou-se a comida, passando a jantar-comício; mais recentemente a “atração principal” passou a ser o “porco no espeto”; mas, agora a “novidade” é venha divertir-se connosco no comício na localidade x no dia y, anunciando “comes e bebes, autocarro panorâmico, insufláveis para crianças e animação musical”! Isto no meu entendimento é desvirtuar o conceito e a natureza do que se pretende numa campanha autárquica: o esclarecimento cabal e político sobre as propostas para o município e/ou para a freguesia, e sobre a mais valia dessas propostas relativamente a todas as outras candidaturas. E claro, a capacidade de execução! E a capacidade de execução está umbilicalmente ligada à qualidade e experiência da equipa, e não apenas experiência política! Em minha opinião, acima da experiência política está a experiência profissional da equipa nas várias valências e competências que são necessárias no Executivo Municipal no século XXI.

Aos candidatos a vereadores não chega apenas interesse (interesse em servir a causa pública e nenhum outro), querer, vontade e ambição, é necessário conhecimento, competência e experiência em várias áreas determinantes para a definição de modelos de desenvolvimento (a curto e médio prazo) para o concelho, mais ainda quando nos próximos anos as autarquias assumirão mais competências em áreas como a educação e a saúde, hoje na esfera de decisão do Governo Central. No que diz respeito a conhecimento, competência e experiência, um executivo municipal deve idealmente ser composto por pessoas (homens e mulheres) que enriqueçam a equipa em áreas como liderança, gestão e finanças, recursos humanos, educação, saúde, apoio social, direito, engenharia civil, engenharia ambiental, ordenamento do território, tecnologias e sistemas de informação, proteção civil. E quando digo conhecimento não é apenas o conhecimento dos livros, é a realidade profissional, os desafios e problemas destas áreas, a experiência de atuação em campo, experiência profissional na vida real: nas empresas, nas escolas, nos centros de saúde e nos hospitais, nos tribunais, nos gabinetes.  O determinante nesta experiência é terem feito e sido capazes (reconhecidamente capazes) de intervir, de concretizar.

O próximo mandato será muito desafiante. Não apenas do ponto de vista do planeamento estratégico (com a revisão do Plano Diretor Municipal), mas também de execução! Mas não de execução avulsa, mas integrada numa estratégia de desenvolvimento integrado para o concelho. O Executivo liderado pelo Dr. Inácio Ribeiro que termina agora o mandato não demonstrou essa capacidade (infelizmente adiando o concelho), mas a que se acreditava ser a principal candidatura opositora neste ato eleitoral autárquico (Sim, Acredita!) também o não tem demonstrado. Aliás, a surpresa deste início de campanha tem sido a capacidade organizativa e de realização da candidatura Novo Rumo. A isto obviamente não é alheia a presença de Eduardo Teixeira. Tenho divergências políticas profundas (no conteúdo e na forma) com ele, mas já reconheci publicamente a sua capacidade de organização e de estruturação de uma campanha política: ele é um dos principais obreiros da chegada ao poder do PSD e de Inácio Ribeiro, quando todos acreditavam em 2009 que era uma candidatura para cumprir calendário. Os sinais, as sondagens e os estudos de opinião valem o que valem, pois só contam para a eleição os votos depositados em urna, mas sem dúvida que a candidatura Novo Rumo pode vir a assumir-se como uma das surpresas eleitorais (em termos de candidatura já o é pois consegue apresentar-se a eleições em mais Freguesias e Uniões de Freguesia que a coligação Sim, Acredita!) dando sequência ao bom resultado alcançado em 2013 por Carla Carvalho na liderança do CDS-PP.

A procissão agora já está no adro, resta saber quem consegue resistir à tentação do populismo e das inverdades! Quem se quer assumir como “messias” não pode cair em tentação!