A pílula para o combate à emigração

Com o aproximar das eleições legislativas, tenho tido o privilégio de ouvir e dialogar com várias pessoas. Esta experiência revela-se uma oportunidade única para compreender os principais problemas e desafios que enfrentam no seu dia-a-dia. Embora não seja a minha primeira incursão numa campanha eleitoral, a atual tem sido particularmente desafiante ao constatar que, ano após ano, os portugueses, especialmente os habitantes de Felgueiras, se sentem cada vez mais abandonados pelo Estado, alcançando um ponto crítico em que clamam por mudança a todo custo.

Vários são os episódios que tenho vivido ao longo destas já quase 2 semanas, mas existe um em particular que insiste em repetir-se e que motivou a escrita deste artigo. Os jovens estão aterrorizados com a inevitabilidade da emigração, percebendo-a como única forma de concretizarem o seu projeto de vida.

Um estudo realizado junto da comunidade académica pela Associação Académica de Coimbra, instituição da qual tive a honra de ser seu dirigente, revelou que 67% dos estudantes da Universidade de Coimbra consideram emigrar. Leu bem, 67% dos estudantes. Estes números dizem-nos que 2 em cada 3 estudantes não veem perspetivas de permanecer em Portugal após a conclusão dos seus estudos. Esta é uma situação não só preocupante, como alarmante!

E o que dizer a um jovem que estando a frequentar o ensino superior, já antevê a emigração como única alternativa para obter um salário digno?

 

Pois bem, dentro das minhas limitações, tenho tentado demonstrar aos jovens que existem propostas nos partidos políticos que pretendem precisamente acabar com esta sangria de talento para o estrangeiro. Para melhor ilustrar, gostaria de destacar algumas que a Aliança Democrática apresentou no seu programa eleitoral e que me parecem de extrema importância para a nossa geração.

 

Começando pelos salários, que são naturalmente o principal motivo pelo qual os jovens emigram:

  • Aumento do salário médio para 1750€ até 2028;
  • Taxa máxima de 15% no IRS para jovens até aos 35 anos;
  • 15º mês livre de impostos: isenção de impostos e contribuições nos prémios de desempenho, até ao valor limite de um salário mensal.

Em segundo lugar, as propostas relacionadas com a habitação:

  • Lançamento de um grande programa de contratos de construção de imóveis para a classe média, através de parcerias público-privadas;
  • Primeira casa: Isenção de IMT e Imposto de Selo para jovens, com garantia pública de financiamento até 100% do valor do imóvel.

Por último, as propostas para a saúde:

  • Compromisso de acabar com as listas de espera até ao final de 2025. Em caso de ultrapassado o tempo de resposta, atribuição de um voucher para atendimento gratuito no setor privado ou social;
  • Garantia de médicos de família para todos, através da mobilização de recursos do Serviço Nacional de Saúde, médicos reformados e parcerias com o setor privado e social.

 

Escolhi este triângulo – Salários, Habitação e Saúde – porque foram também os principais problemas que fui ouvindo ao longo desta campanha e porque são os que mais preocupam os jovens e que menos os convidam a ficar.

 

Com isto, não convido absolutamente nenhum leitor a votar na AD. Estou apenas a apresentar algumas soluções que a AD propõe e que são na minha opinião muito interessantes para resolver os problemas que a minha geração enfrenta. Embora tenha sentido que estas propostas foram bem recebidas pelos jovens, durante a campanha, isso não implica que sejam igualmente bem recebidas pelo leitor. Logo, o meu convite é a que analise os programas eleitorais e identifique as propostas que mais se identificam consigo mas, sobretudo, que vote. Dia 10 o nosso País e a nossa Democracia contam connosco. Não faltemos à chamada!

Para concluir e abordando um  tema mais específico de Felgueiras, tenho acompanhado as campanhas dos vários partidos por cá. Francisco Assis, cabeça de lista pelo PS no Porto já visitou Felgueiras e Miguel Guimarães, ex-bastonário da Ordem dos Médicos e cabeça de lista pela AD no Porto também. 

No entanto, assumo que há algo que não me tem saído da cabeça. Precisamente em tempo de legislativas vejo que o nosso Presidente de Câmara Nuno Fonseca, tem aparecido nas televisões e nas redes sociais, várias vezes ao lado de Pedro Nuno Santos, demonstrando inequivocamente o seu apoio ao ex-Ministro do Partido Socialista.  Algo nunca antes visto.

Estaria Nuno Fonseca com receio de assumir aos felgueirenses o seu apoio declarado ao PS? Ou temia que questionassem a sua independência, que tanto defendeu, ao longo deste tempo? Uma coisa é certa, desta vez, a máscara caiu por completo.