A renovação

O Presidente da República, que não larga a sua veia de comentador, veio dizer que o próximo Orçamento deverá passar na Assembleia da República nos mesmos moldes que passou o anterior e que no pós-autárquicas haverá uma remodelação governamental. Não sei se o presidente já discutiu isso com o primeiro-ministro, ou se é o que ele deseja. Independentemente disso, não posso concordar mais quanto à remodelação.

 

Vejamos o caso do ministro da Administração Interna. Eduardo Cabrita é, no momento, o caso mais escandaloso deste Governo, apesar de António Costa já ter vindo a público dizer que é um “excelente ministro” (só a longa amizade dos dois justifica as declarações).

Cabrita é um elefante numa loja de porcelanas e sempre que se mexe faz asneiras. Só para falar dos casos mais recentes há a desautorização pública do diretor geral da PSP, o ainda por explicar caso dos trabalhadores estrangeiros explorados em herdades no Alentejo, e nos últimos dias o caso dos festejos do título do Sporting.

Eduardo Cabrita não foi capaz de perceber e saber que o Sporting e os seus adeptos eram capazes de querer celebrar o título. Não é coisa usual e normal de os clubes quererem fazer essa coisa de celebrar e apoiar. Não estará sozinho, a PSP deixou durante toda a tarde que centenas de adeptos se fossem aglomerando no espaço, com consumo de álcool, às avessas de tudo o que é proibido, com os resultados conhecidos. O presidente da câmara municipal de Lisboa, perante o facto de terem ignorado o aviso da PSP de que a colocação de vários ecrãs para ver o jogo levaria a aglomerações (quem diria?), veio agora dizer que o e-mail não foi lido, como se alguém acreditasse que, a ser verdade, e em ano de eleições autárquicas, Medina teria coragem de impedir as comemorações de um clube de futebol de Lisboa. A sua veia populista nunca lho permitiria. E assim, Cabrita e Medina vão tentando passar incólumes desta situação.

Estima-se que em Portugal o preço das casas tenha subido 31% acima dos salários. Todos vamos vendo um pouco por todo o lado valores completamente loucos de venda e arrendamento dos imóveis. Fruto de um aumento da procura, apesar da conjuntura económica e da pandemia, as taxas de juro negativas ou a zero, cobrando os bancos apenas o spread, deu um impulso, mas a que preço?

Em Felgueiras vemos apartamentos com três quartos vendidos por 170 a 200 mil euros, preços superiores aos praticados nas zonas mais procuradas de Guimarães. Estaremos a assistir ao mesmo fenómeno que no malfadado governo de Guterres em que os bancos sobreavaliavam os imóveis levando a crise bancária, ao crédito malparado e à bancarrota de muitas famílias?

Diz-me a minha experiência do setor e os especialistas com quem falo, que não se aguentará muito tempo assim. Esperemos estar enganados.