Arménio Pereira elogia autarcas que abdicaram da autonomia (C/ÁUDIO)

Júlio Faria, de Felgueiras, e Arménio Pereira, de Paços de Ferreira, foram as duas grandes figuras autárquicas dos primeiros anos da Valsousa

O ex-presidente da Câmara de Paços de Ferreira e fundador da Associação de Municípios do Vale do Sousa, Arménio Pereira, elogiou os autarcas de há 25 anos que “abdicaram” da autonomia a favor de projetos regionais.

“Nos abdicávamos muito da nossa autonomia municipal a favor da associação”, disse o antigo autarca, a propósito do trabalho realizado por aquela associação de municípios que está a assinalar os 25 anos de existência.

O social-democrata Arménio Pereira foi um dos autarcas que mais tempo esteve na Valsousa, como se designa a associação que reúne, desde 1989, os concelhos de Felgueiras, Paços de Ferreira, Lousada, Paredes, Penafiel e Castelo de Paiva.

Recordando os primeiros anos de trabalho da associação, Arménio Pereira disse que a região teve “a dupla sorte” de, há mais de 25 anos, ter escolhido “autarcas com visão e capacidade de união”.

À Lusa, sublinhou que “a união nem sempre é fácil de conseguir, porque, explanou, um presidente de câmara “é uma personalidade autónoma e é difícil conciliar o que é inconciliável”.

Arménio Pereira acrescentou: “Agora parece que foi tudo muito fácil, mas não foi. Foi difícil conciliar sensibilidades e a satisfação de eleitorado. Tinha de haver uma corresponsabilidade e uma seriedade profundas entre todos para que as coisas surtissem”.

Apesar das dificuldades dos primeiros anos, vincou ainda, entendeu-se que a região devia ter futuro e, por isso, foram “logo acertadas”, nos primeiros anos, as infraestruturas que deviam ser prioritárias.

Para o antigo presidente da Câmara de Paços de Ferreira, o momento mais alto da associação foi o primeiro Congresso do Vale do Sousa, realizado em julho de 1994, por ali ter sido apresentado o estudo estratégico para a região.

“Entendemos que esta região devia ter futuro e, desde logo, acertámos entre nós as infraestruturas. O estudo estratégico foi o mais relevante, porque conseguiu dar horizontes a um futuro melhor, quando ninguém falava ainda nisso”, observou.

Sobre os resultados alcançados ao longo de duas décadas e meia de trabalho, comentou que “a obra está à vista de todos”, felicitando a atual geração de autarcas por terem sido capazes de dar sequência ao que vinha de trás.

Para Arménio Pereira, a região do Vale do Sousa deve acelerar o processo de internacionalização da sua economia, trabalho que também pode contar com o “envolvimento e espírito de entreajuda” dos atuais presidentes de câmara.