Artificialmente governo

Marcelo ganhou as eleições presidenciais, à primeira volta, como praticamente todos as sondagens e analistas políticos previam, deixando a longa distância o segundo melhor colocado. Se nada houve de surpreendente na eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, alguns resultados não deixaram de espantar os menos atentos. É certo que dos dois candidatos da área socialista, Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa, a primeira nunca acolheria mais votos que Nóvoa, desde logo porque este tinha grande parte do aparelho e figuras do PS com ele, mesmo que de uma forma não declarada, mas nunca se pensou que Belém fosse “arrasada” desta forma e, com isto, a ala segurista do PS praticamente desapareceu. E já vão três eleições presidenciais seguidas que o PS perde. Surpreendente mesmo foi o resultado do candidato do PCP que obteve o pior resultado eleitoral de que há memória colocando o partido numa posição muito difícil na “coligação” de esquerda face ao BE que manteve nas presidenciais praticamente o mesmo resultado que obteve nas legislativas. Mas daí a que os resultados presidenciais tragam desequilíbrios na “coligação” parlamentar que suporta o governo ainda é cedo para concluir…
Desequilibrado parece que é o ‘draft’ do Orçamento apresentado pelo governo à Comissão Europeia uma vez que, pelas perguntas que dirigiu ao governo, entende que os pressupostos de crescimento e de défice são completamente irrealistas tal como o PSD já tinha alertado. Hoje mesmo, a UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) veio, no seu relatório, dizer que o governo melhorou “artificialmente” o esforço orçamental ao partir de pressupostos senão errados, pelo menos dúbios.
Este é o governo do “artificialmente”. Artificialmente ganhou as eleições, reduziu as taxas moderadoras (em alguns casos cinquenta e sete cêntimos), aumentou as pensões (dois euros), aumentou o salário mínimo pensando que tal vai fazer disparar o consumo interno, vai baixar os impostos – subindo ainda mais a já elevadíssima carga fiscal nos combustíveis a que quase ninguém consegue fugir.
Não fosse este um problema que nos irá afetar a todos mais tarde ou mais cedo até daria vontade de parodiar um bocado com a situação. É que as medidas anunciadas de redução de impostos vão abrir um buraco, segundo alguns analistas, de mais de oitocentos milhões de euros.
E assim segue um governo artificial, a fazer de conta que governa, enquanto o BE, PCP e sindicatos, vão puxando os cordelinhos que fazem mexer António Costa.
Uma última palavra para o Expresso de Felgueiras, projeto com o qual colaboro desde o número zero e que vê agora o rosto renovado no formato em papel, mas também com uma edição online em atualização permanente. Renovo os votos do maior sucesso para o EF, na continuação de uma informação plural, isenta, com várias vozes e diferentes opiniões.