Associações vão ter que se reinventar, afirma António Bessa Carvalho

O vice-presidente da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD) expressou preocupação sobre a atual situação do movimento associativo em Portugal, frisando que muitas associações vão ter dificuldades em regressar ao ativo e que terão que se “reinventar” para enfrentar os novos desafios num cenário pós-pandemia.

 

António Bessa Carvalho explicou, em declarações ao Expresso de Felgueiras, que a preocupação com o futuro das associações foi um dos temas abordados, no sábado, no âmbito de uma conferência internacional virtual organizada pela CPCCRD.

O dirigente associativo, também presidente da direção do Rancho Folclórico de Macieira da Lixa, reuniu com representantes de movimentos associativos da França, Alemanha e Portugal para debater o atual estado do associativismo nacional e europeu.

“Há muitas associações que ainda estão com muito receio de regressar ao ativo. Por outro lado, há situações das que querem regressar à atividade, mas deparam-se com dificuldades porque muitas das pessoas se afastaram do movimento, durante os períodos de confinamento, e não têm interesse em regressar”, frisou, acrescentando que a situação se pode agudizar com a chegada do verão e dos períodos de férias.

 

Regresso ao ativo não vai ser fácil

Bessa Carvalho reforçou, recordando que o real impacto da crise despoletada pela pandemia da covid-19, a nível do associativismo, ainda não pode ser medido, mas que a perceção é que um regresso ao ativo “não vai ser fácil, sobretudo por uma questão de falta de recursos humanos”.

Por outro lado, o dirigente recorda que a situação pôs em evidência a importância de manter as associações “em dia” perante o Estado, de acordo com a atual legislação para o setor.

Explica que quem não está devidamente organizado e atualizado, nomeadamente a nível tributário e legislativo, enfrenta problemas em aceder a apoios oficiais por parte de entidades como juntas e câmaras municipais.

“É, de longe, o problema mais grave que enfrentam”, anota, frisando que a suspensão de atividades impossibilita as remunerações pontuais, em eventos, com que muitas associações contavam.

“Antes da pandemia era possível, de certa forma, ´tapar o sol com uma peneira´, mas com a falta de eventos, esses fundos deixaram de existir. Sem a situação regularizada, não conseguem aceder a apoios oficiais” sublinha.

 

Associações vão ter que se reinventar

O vice-presidente adiantou que a Conferência das Coletividades está a tentar incentivar as associações a dinamizar atividades, sempre de acordo com as regras e medidas de prevenção, e a aproveitar o tempo de inatividade para se organizaram.

“Praticamente todas as semanas, tentamos passar a mensagem, a insistir que se dinamizem, que organizem pequenas iniciativas, com menos pessoas e que aproveitem o tempo para regularizar as suas situações, de acordo com a legislação, porque o associativismo não pode morrer, é mesmo preciso na sociedade”. E acrescenta:

“Uma coisa é certa: o movimento associativo vai-se transformar, vai ter uma nova roupagem. O mais certo é que as associações têm que se reinventar. O que falta saber, agora, é se é para pior ou para melhor”.