Autarcas da zona de prospeção de lítio “Seixoso-Vieiros” saem satisfeitos de reunião com tutela

Os autarcas dos municípios abrangidos pela zona de prospeção de lítio “Seixoso-Vieiros” (Porto, Braga, Vila Real) saíram hoje satisfeitos de uma reunião com o ministro do Ambiente, em Lisboa, considerando que “foi esclarecedora” e que torna o processo “transparente”.

 

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, reuniu-se esta manhã com os presidentes das Câmaras Municipais de Amarante, Felgueiras (distrito do Porto), Celorico de Basto, Fafe, Guimarães (distrito de Braga) e Mondim de Basto (distrito de Vila Real).

Esta reunião de trabalho foi a primeira de um conjunto de reuniões que João Matos Fernandes terá com “todas as autarquias envolvidas” no projeto de prospeção de lítio, viabilizado em seis zonas do país.

No final da reunião, em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, Nuno Fonseca (PS), que foi o porta-voz dos seis autarcas abrangidos pela zona prospeção “Seixoso-Viveiros”, fez um balanço positivo do encontro, considerando que os esclarecimentos do ministro foram “esclarecedores”.

O autarca referiu que transmitiu a João Matos Fernandes as principais preocupações da população, apontando para questões que pretendem ver resolvidas “do ponto de vista da prospeção”, percebendo se esta será ou não “evasiva” para os territórios.

“Foi uma reunião esclarecedora, embora no nosso entender já devia ter ocorrido mais cedo, antes desta definição final dos polígonos. Tivemos a boa notícia de que estamos a falar de cerca de 1,5% no limite daquilo que está hoje identificado no perímetro e poderemos agora juntar às nossas equipas municipais mais conhecimento técnico”, sublinhou.

Na semana passada, a tutela já tinha indicado que ia viabilizar a prospeção de lítio em seis zonas do país, com uma redução para metade na área de inicialmente prevista.

No caso concreto de “Seixoso-Vieiros”, que abrange Amarante, Felgueiras, Celorico de Basto, Fafe, Guimarães e Mondim de Basto, a área passa de 243,7 quilómetros quadrados para 144,2 quilómetros quadrados.

O autarca de Felgueiras sublinhou a importância de a tutela esclarecer os autarcas sobre o processo de prospeção do lítio, “tendo em conta que circula muita desinformação sobre o tema”.

“O senhor ministro convocou-nos para nos esclarecer. Há aos dias de hoje uma desinformação muito grande, que veicula por todos os meios de comunicação social e é isso que nós queremos, que as populações estejam esclarecidas. Foi a forma mais transparente que vimos ao longo destes anos, naquilo que é a concessão e prospeção e, portanto, temos de nos regozijar com isso”, apontou.

Apesar de terem ficado mais tranquilos, os autarcas ressalvaram que “vão continuar a acompanhar bem de perto todo o processo”.

“Neste momento estamos a falar da prospeção, que ocorrerá nos próximos cinco anos. Mas mesmo a prospeção nós temos preocupações, que queremos ver aqui bem vincadas e bem vertidas no papel. Vamos, sobretudo, perceber o que estamos a falar no concreto. Que mais estamos a falar e onde é que ela vai acontecer”, sublinhou Nuno Fonseca.

Do lado do Ministério do Ambiente e da Ação Climática não houve qualquer comentário sobre esta reunião.

A Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) conhecida há uma semana viabilizou as áreas denominadas “SEIXOSO-VIEIROS”, que abrange os concelhos de Fafe, Celorico de Basto, Guimarães, Felgueiras, Amarante e Mondim de Basto, “MASSUEIME”, que atinge os municípios de Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel, Trancoso e Meda, “GUARDA-MANGUALDE C (Blocos N e S)”, que inclui Belmonte, Covilhã, Fundão e Guarda, “GUARDA-MANGUALDE E”, que abrange Almeida, Belmonte, Guarda e Sabugal, “GUARDA-MANGUALDE W”, que inclui Mangualde, Gouveia, Seia, Penalva do Castelo, Fornos de Algodres e Celorico da Beira, bem como “GUARDA-MANGUALDE NW”, área que inclui os municípios de Viseu, Sátão, Penalva do Castelo, Mangualde, Seia e Nelas.

Na sexta-feira, numa conferência de imprensa, nas instalações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) no Porto, Matos Fernandes lembrou todos os passos deste processo, que começou por identificar 11 áreas com potencial de exploração de lítio e que, devido aos resultados de sucessivos estudos de impacte ambiental, acabou por reduzi-las a seis.

 

FAC (APM/ ILYD) // MCL