Bairrismo!

Existem, em minha opinião, principalmente duas formas de olhar para o “bairrismo”: “a afeição que alguém tem ao bairro ou à localidade onde mora”, segundo o Dicionário Priberam, e/ou a “defesa de interesses do bairro, possuindo por vezes uma conotação negativa, pois ao bairrismo está associada uma visão estreita do mundo que despreza aquilo que vem de fora”, como apresentado na Wikipédia.

Obviamente, o nosso bairrismo não pode sobrevalorizar o que temos, de uma forma autista que inibe a visão sobre o que se passa à nossa volta (exemplo, nos municípios vizinhos), nem pode em sentido oposto, sobrevalorizar o que existe ao lado (modo, tudo o que existe fora é que é bom). Contudo, a comparação, o “benchmark”, é muito útil para avaliar o estado de evolução em que a nossa terra está, no contexto regional e nacional, em termos de infraestruturas mas também de políticas de desenvolvimento de médio e longo prazo. Só que feito de forma rigorosa e séria…

Vamos lá a um par de exemplos!

O “Prémio Complexo Desportivo do Ano” atribuído ao Município de Felgueiras pela qualidade de equipamentos como o Estádio Dr. Machado de Matos, o Complexo de Piscinas Municipais de Felgueiras e a Zona Desportiva, que foi significativamente publicitado, tem que ser relativizado e (des)“valorizado” na medida em que todos conhecemos e reconhecemos por exemplo as fragilidades do Estádio Municipal, no qual se realçam por exemplo a inexistência de um campo anexo de treinos relvado e o impacto visual negativo da bancada. Quanto à Zona Desportiva a degradação é visível, por demais evidente, até perigosa para a prática desportiva..
Em contraponto, vemos em Lousada uma Zona Desportiva construída ao longo dos últimos 20 anos, por administração direta da autarquia lousadense, com equipamentos de grande qualidade, onde se inclui um moderno estádio de futebol, e com capacidade de crescimento, fruto do investimento estratégico para o futuro que foi realizado!

Outro dos exemplos é inevitavelmente o inexistente Pavilhão Multiusos, que foi tema de conversa na última Assembleia Municipal. O PSD conseguiu a aprovação de uma proposta de recomendação, que o Sim, Acredita! não irá, obviamente , cumprir. Bem sabemos que os constrangimentos financeiros o impedem, e que a estratégia de Nuno Fonseca não passa por aqui, pelo menos por agora.
Só que ao nosso lado: Paredes reabilitou o seu Multiusos que é uma referência no território; e Penafiel prevê inaugurar no próximo ano o “Ponto C – Cultura e Criatividade”, um espaço com mais de 15 mil metros quadrados que terá um anfiteatro com capacidade para 400 pessoas.

Obviamente que poderíamos também falar do Parque da Cidade, de Museus…

O responsável por estas lacunas é o Executivo de Nuno Fonseca? Não, não só, mas também!

O desenvolvimento sustentado de um município não é obra nem responsabilidade de um Presidente de Câmara, mesmo que cumpra os legalmente estabelecidos 3 mandatos, devendo ser um desígnio inter-geracional, assente num plano estratégico que aponte objetivos. Mas, cada Presidente e cada Executivo tem que dar um contributo, e em Felgueiras os mandatos mais recentes, quer do PSD, quer de Nuno Fonseca não deixarão boas memórias a este nível. E com isto, prejudica-se o futuro do concelho.

Relembre-se que os projetos para a recuperação do Teatro Fonseca Moreira e da Casa das Torres foram iniciativa de Fátima Felgueiras, e inaugurados no mandato de Inácio Ribeiro.

Quanto ao “Bairrismo”, em letra maiúscula, foi muito importante no passado para muitas conquistas e para a defesa dos interesses das nossas terras de Felgerias Rubeas, e agora, neste tempo não deverá ser diferente, sem que isso tolde a capacidade de autocrítica!