Bispo Porto realça valor do exemplo padre Horácio em celebração evocativa da sua memória

O Bispo do Porto, D. Manuel Linda, enalteceu o exemplo de dedicação do padre Horácio Gomes, que faleceu na semana passada vítima de covid-19, durante uma celebração evocativa da sua memória, na Igreja Nossa Senhora de Fátima, em Lagares.

 

“Em nome da Diocese do Porto, quero agradecer ao Pe. Horácio, na comunhão dos santos, e aos Padres Vicentinos, o trabalho que ele fez, o mais simples e humilde, nestas comunidades”, referiu D. Manuel Linda, na homilia da Missa 7º dia, que reuniu, na igreja de Lagares, algumas dezenas de fiéis, o presidente da Câmara e Assembleia Municipal de Felgueiras, presidentes de Junta e familiares do Pe. Horácio.

“Hoje estou aqui com vocês todos para dar um abraço ao padre Horácio, que não é físico, na comunhão dos santos, na fé, esperança e louvor por udo quanto fez e deu de si no desempenho do seu ministério sacerdotal”, acentuou.

A celebração, que contou com a presença do provincial da Congregação da Missão e de vários sacerdotes vicentinos, congregação da qual fazia parte, do vigário da vara da Vigararia de Felgueiras e alguns párocos do concelho, realçou as qualidades no serviço pastoral e saudade do padre Horácio Gomes, que era pároco de Lagares, Pombeiro e Vila Fria.

 

Padre Horácio 3

 

“Se pudesse dizer uma palavra sobre o padre Horácio é que ele era mesmo missionário de coração, de quem se dedicou totalmente à Igreja, de quem não se cansou de servir, com uma atitude por vezes ousada, corajosa, profética, incómoda e até dissonante, mas sempre muito dedicada”, expressou, no fim da celebração, o Pe. Nélio Pita, provincial da Congregação da Missão.

“Que este modelo de vida, esta memória do padre Horácio, que estamos a celebrar, seja uma referência para vós, para nós, de oração, para sermos também uma Igreja mais missionária, mesmo que esta Igreja não seja propriamente consensual, incómoda, mas precisamos deste atrevimento, ousadia que tão bem caracterizava o Pe. Horácio”, destacou.

No final, a família do padre Horácio Gomes, representada por dois irmãos, agradeceu toda a atenção que a comunidade e colegas da congregação dedicaram, especialmente nos últimos dias de vida, àquele sacerdote, o primeiro da Diocese Porto a falecer vítima de covid-19.

Recorde-se que o padre Manuel Horácio Alves Gomes, da Congregação da Missão, faleceu na manhã da passada sexta-feira, 6 de novembro, no Seminário de São José, em Lagares – Felgueiras, vítima de paragem cardiorrespiratória, após ter testado positivo à covid-19.

 

Nota biográfica

O padre Horácio Gomes nasceu em Cucujães, Oliveira de Azeméis, no dia 27 de fevereiro de 1937. Aos 11 anos entrou para o Seminário de São José, em Lagares (Felgueiras), tendo depois frequentado os seminários dos Padres Vicentinos em Mafra e em Pombeiro (Felgueiras). Entrou no noviciado da Província Portuguesa da Congregação da Missão, em Mafra, no dia 18 de julho de 1954, tendo emitido votos perpétuos a 19 de julho de 1959, em Pombeiro, e concluído os estudos teológicos no Seminário de Santa Teresinha, em Pombeiro, no ano de 1962.

Foi ordenado sacerdote a 22 de julho de 1962, pelo bispo D. Manuel Maria Ferreira da Silva, no Mosteiro de Pombeiro, em Felgueiras, tendo no mesmo ano sido enviado para a missão dos Padres Vicentinos em Moçambique, onde serviu durante várias décadas. Teve uma atividade missionária muito intensa em Moçambique, até ao ano de 1986, como professor, reitor do Seminário de Nicoadala, como superior e pároco, tendo inclusivamente assumido, entre os difíceis anos de 1977 e 1984, o serviço de vice-provincial da Vice-Província de Moçambique da Congregação da Missão.

Depois de um período no Estados Unidos na América, onde concluiu o Doutoramento em Sociologia, regressou a Portugal em 1994. Colaborou no governo da Província, quer enquanto assistente provincial, quer como conselheiro provincial, e esteve nas comunidades dos Padres Vicentinos ao serviço das paróquias de Nisa (a partir de 1994) e Ponte de Sor (a partir de 2005), ambas na Diocese de Portalegre – Castelo Branco.

A partir de 2008, estando nas comunidades dos Padres Vicentinos em Felgueiras (primeiro, em Santa Quitéria e, depois, no Seminário de São José, em Lagares), apoiou na administração do Lar Vicentino de Santa Quitéria e nos serviços das paróquias da vigararia confiadas à Província Portuguesa da Congregação da Missão.

Era, há vários anos, pároco nas Paróquias de Lagares, Pombeiro e Vila Fria, em Felgueiras, missão que, apesar da sua idade, desempenhava com muita vitalidade, dinamismo e criatividade.

“A Província Portuguesa da Congregação da Missão, a sua família e as paróquias onde servia unem-se agora em oração e agradecem a Deus pelo seu ministério sacerdotal e pelo dom da sua vida”, lê-se numa nota da congregação na sua página oficial.

 

Miguel Carvalho