Câmara já gastou 400 mil euros na selagem de aterro industrial de Sendim

A Câmara de Felgueiras já gastou cerca de 400 mil euros para selar o aterro de resíduos industriais do concelho, em cumprimento de uma ordem do Ministério do Ambiente, disse hoje à Lusa o presidente Nuno Fonseca.

O autarca referiu que os trabalhos já entraram na reta final, prevendo que estejam terminados ainda em setembro, “repondo a normalidade ambiental” e cumprindo a determinação da tutela.

“Está a ser um esforço financeiro da câmara muito grande, mas o mais importante é garantir o cumprimento das exigências ambientais”, comentou.

A selagem do aterro foi ordenada em junho, depois de uma inspeção da tutela ter detetado irregularidades no funcionamento do equipamento. Os inspetores identificaram situações de deficiente deposição e acondicionamento dos resíduos, para além de uma quantidade acima da capacidade do aterro.

O aterro sanitário de Felgueiras servia exclusivamente para a receção de resíduos não perigosos da indústria de calçado, que predomina no concelho.

Após a ação da Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), a autarquia de Felgueiras ficou obrigada a selar o aterro e retirar os resíduos industriais da indústria de calçado que estavam depositados de forma irregular, num prazo de 180 dias.

Desde então, explicou Nuno Fonseca, a câmara tem colocado telas e saibros no aterro e encaminhado os lixiviados para estações de tratamento. Os resíduos em excesso foram encaminhados para o aterro de Lustosa, no concelho vizinho de Lousada.

O problema do aterro de resíduos industriais, localizado há cerca de duas décadas na freguesia de Sendim, foi herdado pela gestão de Nuno Fonseca (PS/Livre), que está a cumprir o primeiro mandato, depois oito anos de gestão social-democrata.

 

E agora?

 

O atual chefe do executivo acrescentou hoje à Lusa que já se está a trabalhar a pensar no futuro, nomeadamente quanto à possibilidade de o equipamento poder ser reativado, evitando assim o seu encerramento definitivo.

Essa vontade existe, referiu o autarca, mas tem de ser encontrado um modelo jurídico adequado, uma vez que o quadro legal atual não permite à câmara a gestão daquele tipo de equipamento.

A concessão a privados é uma possibilidade, mas também está a ser equacionado o cenário de o aterro poder ser gerido por uma nova empresa municipal que a câmara está a constituir, concluiu.