Câmara rejeita críticas da assoc. empresarial sobre ausência de bons acessos a zona industrial de Cabeça de Porca

A Câmara de Felgueiras rejeitou hoje as críticas da Associação Empresarial em relação à inexistência de bons acessos à Zona Industrial de Cabeça de Porca, acusando aquela associação de “alheamento” e “desconhecimento” face à realidade.

“Estranha-se que alguns agentes locais, mostrando profundo desconhecimento da realidade do município, assumam publicamente uma postura que apenas revela o seu alheamento relativamente a matérias da maior importância para Felgueiras”, lê-se num comunicado da autarquia enviado à Lusa.

A Câmara de Felgueiras respondia assim às críticas do presidente da Associação Empresarial de Felgueiras, Nuno Fonseca.

Em declarações à Lusa, o dirigente congratulava-se com o facto de o Governo ter incluído aquele melhoramento no plano para a construção de novas acessibilidades às zonas industriais, recentemente anunciado, mas criticava a “inoperância” da autarquia local neste dossiê.

Autarquia recorda o trabalho realizado para a obra poder avançar

A Câmara afirma não aceitar aquela acusação, recordando que já em 2010, com o atual executivo “foi dado um passo decisivo com a definição do canal da variante entre a Casa do Diabo e Cabeça de Porca”.

Sublinha-se ainda que, nos últimos três anos, aquela acessibilidade foi uma aposta da autarquia, mas também da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (CIM).

“Este intenso trabalho”, frisa-se no comunicado, “envolveu a CIM, a tutela governamental e as câmaras municipais, o que resultou “no mapeamento feito ainda no Governo anterior e que foi apresentado a Bruxelas”.

Zona industrial Cabeça de Porca

O Município assinala que foram privilegiadas, num primeiro nível, as ligações das zonas de acolhimento empresarial ao ponto mais rápido de autoestrada, o que se ajustava ao caso concreto daquela zona industrial.

“Como resultado deste trabalho, para um financiamento de 180 milhões na CIM, apenas foram contemplados dois municípios: Felgueiras e Castelo de Paiva”, destaca.

A edilidade liderada por Inácio Ribeiro defende, por outro lado, “que esta aposta do Governo é uma questão de justiça para com Felgueiras, que esperou 20 anos pela concretização da promessa do primeiro-ministro, António Guterres, em 1997”.

A nova ligação àquela ZI, garantida pelo Governo através do Programa de Valorização das Áreas Empresariais, terá cinco quilómetros de extensão, ligando à rotunda de acesso à autoestrada A11, conhecida como “casa do diabo, e custará cerca de 8,5 milhões de euros.

A Câmara de Felgueiras chama à atenção, por outro lado, que a candidatura que levou à inclusão daquele acesso no plano do Governo decorreu de um estudo realizado pela autarquia, para uma área total de 62 hectares, em que os 12 hectares de área disponível podem ser expandidos.

Câmara “fará um esforço por não politizar um setor de atividade”

Atualmente, laboram ali 40 empresas que empregam cerca de 2.300 trabalhadores e que têm um volume de negócios de 360 milhões de euros, destacando-se 144 milhões de euros em exportações.

No documento, concluiu-se que “a autarquia, liderada por Inácio Ribeiro, prosseguirá o seu trabalho, disponível para colher contributos positivos de todos e fará um esforço por não politizar um setor de atividade que sempre foi forte, tem crescido até ao presente e tem um futuro de expansão e positivo em Cabeça de Porca e no resto do concelho”.