Município vai assumir 105 mil euros da ampliação do quartel dos bombeiros

FOTO: ARMINDO MENDES

O presidente da Câmara de Felgueiras, Nuno Fonseca, disse hoje que o município vai atribuir 105 mil euros aos bombeiros locais para comparticipar a ampliação do quartel, correspondendo ao reclamado pela corporação.

 

Na reunião de câmara realizada na quinta-feira, quando a matéria foi tratada, Nuno Fonseca já tinha referido que se estava a trabalhar para que o subsídio fosse votado na próxima reunião do executivo.

O presidente da direção dos BVF, Arnaldo Freitas, em declarações à Lusa, disse hoje ter sido solicitado à atual câmara, em ofício, uma comparticipação de 15% da obra, como habitualmente ocorre neste tipo de situações, “um pouco por todo o país”.

Nuno Fonseca anotou hoje que a autarquia vai corresponder positivamente a essa matéria, mas explicou que o ofício dos BVF, solicitando o valor, deu entrada na câmara no dia 24 de setembro do ano passado e que, nessa data, o orçamento municipal para 2020 já estava fechado.

Por isso, assinalou o presidente, há necessidade de se proceder a uma alteração ao Orçamento, a qual, previu, deverá ser votada em reunião de câmara a tempo de ser ratificada pela assembleia municipal de 28 de fevereiro.

Os 105 mil euros que a câmara se dispõe a atribuir à instituição corresponde a 15% do total da candidatura dos bombeiros, que apontava para um investimento de 700 mil euros.

FOTO: ARMINDO MENDES
FOTO: ARMINDO MENDES

Contudo, os bombeiros alegam que as obras custaram cerca de um milhão de euros, porque comportaram melhoramentos que não tinham sido comparticipados no âmbito dos fundos comunitários, nomeadamente o parque de ambulâncias. Arnaldo Freitas defende que, por isso, o apoio da câmara deveria ser de 150 mil euros, ou seja, o correspondente a 15% do total do investimento.

QUESTÃO DOS 45 MIL EUROS DA DEMOLIÇÃO DA EPF ESTÁ A SER ANALISADA

Na reunião do executivo, os vereadores do PSD também tinham questionado o presidente sobre a solicitação da corporação de Felgueiras para que a câmara atribua um subsídio extraordinário, no montante de 45 mil euros, que os bombeiros alegam ter despendido na demolição do antigo edificado da Escola Profissional de Felgueiras (EPF), propriedade do Município, para proceder à ampliação do quartel.

Na quinta-feira, Nuno Fonseca dissera que o assunto tem vindo a ser tratado nos serviços do município, mas assinalou não haver na câmara qualquer compromisso escrito deixado pelo anterior executivo, no sentido da atribuição do referido subsídio.

A ampliação do quartel ocupou terrenos da antiga EPF, propriedade do município, que foram cedidos aos bombeiros para esse efeito.

Por seu turno, o presidente da câmara questionou os vereadores do PSD, três dos quais integraram a equipa de Inácio Ribeiro (João Sousa, Carla Meireles e Adelina Silva) se eram conhecedores do compromisso, alegadamente assumido pelo anterior executivo.

Na reunião, nenhum dos eleitos social-democratas disse ter conhecimento do compromisso, mas assinalaram que isso não invalida que Inácio Ribeiro tivesse esse acordo com a associação humanitária.

reunião de câmara de Felgueiras fev 2020 PSD
“Todos queremos ajudar os bombeiros, mas há coisas que têm de ser esclarecidas”, referiu Nuno Fonseca

Nuno Fonseca manifestou vontade de resolver o assunto, dizendo-se sensível aos argumentos da corporação de Felgueiras, mas, vincou, “respeitando sempre as bases legais.”

COMPROMISSO ENTRE AS DUAS PARTE FOI VERBAL

Sobre esta matéria, o presidente da direção dos bombeiros disse hoje à Lusa que o compromisso entre as duas partes foi verbal e assumido de boa fé.

Arnaldo Freitas explicou que havia, à data, urgência no arranque da obra de ampliação, devido aos prazos da candidatura, obrigando à demolição dos antigos pavilhões da EPF, propriedade do município.

Como a câmara não podia, no imediato, avançar com a demolição, explicou o dirigente, foi acordado com o então presidente do executivo que os BVF fariam esse trabalho e, posteriormente, reportariam as despesas ao município.