“Caminhos inversos!”

O título desta crónica pode sugerir que versará sobre o péssimo estado da rede viária concelhia que o executivo mostra incapacidade em recuperar e que não tem apenas a ver com o mau tempo e/ou com a expansão da rede de saneamento! Mas não, porque aquilo que escrevi no início deste ano em “Buracos!” mantém-se absolutamente atual, O que atendendo à voracidade da passagem do tempo é por si só fator de preocupação de inação.

Os caminhos que hoje pretendo comentar são os relacionados com o impacto que a demissão do governo liderado por António Costa terá na política em Felgueiras, nomeadamente no futuro imediato dos deputados Pedro Lopes e António Faria, e até na composição das estruturas locais do Partido Socialista e do PSD.

É cristalino que a política partidária em Felgueiras passa, convenientemente para Nuno Fonseca, por um período que não será recordado pelos melhores motivos uma vez que aquilo que não tem existido é discussão, análise, contraditório, oposição. É inegável que “tem sido um passeio no parque” para o executivo municipal, com consequências diretas nefastas para a saúde da democracia concelhia. 

Do lado do PSD acredito que a ambição política de Pedro Lopes passa por abraçar definitivamente uma carreira no palco nacional, contrastando com o caminho que “antevejo” para António Faria, que deverá, pelo seu passado e sinais que vai deixando, ter vontade de assumir maiores responsabilidades na política concelhia. E embora discreto, essa sua discrição levou a que fosse a personalidade indicada pela concelhia para a lista de deputados, “vencendo” o então presidente da concelhia Miguel Faria.

Certamente que António Faria procurará seguir um caminho de consensos, evitando qualquer ruptura com o presidente da câmara, e terá concorrência na “corrida” à concelhia, quer dentro do atual executivo, quer entre os militantes socialistas de base. Mas a sua experiência política deverá ajudá-lo no xadrez eleitoral, restando saber até onde conseguirá reunir os apoios que lhe permitam ter “controlo” sobre o caderno de militantes!

Na estrutura do PSD o desânimo mais do que latente é visível, na falta de apoio aos vereadores e deputados na Assembleia Municipal, e na falta de comparência no palco mediático de oposição, assumindo-se como alternativa à atual governação do Sim Acredita. Pedro Lopes tem assumido intervenções mediaticamente aguerridas na Assembleia da República, mas tem passado “olimpicamente” ao lado desse mesmo tipo de intervenção quando “joga em casa”.

E na casa dos “laranjas” felgueirenses já não se esconde, quer em debates mais restritos, quer em fóruns mais alargados, que é necessário devolver a palavra aos militantes para a escolha de uma nova comissão política que assuma um posicionamento diferente! E isso preocupa Nuno Fonseca.

Independentemente das preocupações que o Poder tenha com o debate democrático ativo em Felgueiras, é necessário que os caminhos que se façam se traduzam em ação política, em discussão, em efetiva e ativa fiscalização do executivo municipal, na existência de alternativas que os felgueirenses possam avaliar e apoiar ou não, mas que o resultado eleitoral não seja decidido por “falta de comparência”!