CIM do Tâmega e Sousa diz que novo quadro comunitário é “uma mão cheia de nada”

Gonçalo Rocha, presidente da Câmara de Castelo de Paiva | FOTO: Armindo Mendes

O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa criticou hoje os apoios financeiros previstos para o território no novo quadro comunitário, considerando-os “uma mão cheia de nada”.

“O que nos foi atribuído é quase zero. É uma mão cheia de nada”, exclamou Gonçalo Rocha, em declarações à Lusa.

A poucos dias de concluir o seu mandato de dois anos à frente de uma das maiores CIM do país, o autarca socialista de Castelo de Paiva fala da “desilusão” que sentiram os 11 presidentes de câmara da região.

“O que foi lá colocado é demasiado curto. Este território merecia muito mais. Estamos a falar de 60 milhões de euros, mas metade está em iniciativas da responsabilidade do governo central”, insistiu.

Gonçalo Rocha recordou que, em alguns momentos, foram criadas à região expetativas relativamente à estratégia que se estava a preparar para o território, no sentido de que “teria um pacote financeiro muito mais expressivo”.

“Os pactos ficaram muito curtos, também sob ponto de vista das ações que poderiam ser desenvolvidas”, comentou, reafirmando que o envelope financeiro “ficou muito aquém das legítimas aspirações dos autarcas”.

O presidente da Câmara de Castelo de Paiva censura também o que considerou ter sido “uma estratégia de colocar um conjunto muito vasto de responsabilidades da administração central e do Governo na esfera da CIM para alavancar esses projetos”.

“Isso parece-nos extremamente negativo e não foi essa a ideia que nos foi transmitida quando avançamos com a estratégia que delineamos [com a Universidade Católica] até 2030”, lamentou.

FOTO: Armindo Mendes
FOTO: Armindo Mendes

Nos últimos anos, assinalou ainda, a CIM do Tâmega e Sousa procurou “marcar a agenda das preocupações do território, junto de quem decide neste país”.

“Não poderíamos ficar calados, tivemos de demonstrar que o nosso território, de transição entre o litoral e o interior, existe e que tem dificuldades que precisam de ser atacadas”, reforçou.

O possível reforço das verbas do Pograma de Valorização Económica de Recursos Endógenos (PROVERE) proposto pela CCDRN, numa lógica alargada ao território dos 11 municípios, em vez de se limitar, como estava inicialmente previsto, aos chamados territórios de baixa densidade, poderá, segundo Gonçalo Rocha, compensar a região com verbas que poderão chegar aos 20 milhões de euros.

“O presidente Emídio Gomes constatou que este território precisava de um apoio mais incisivo ao nível da convergência”, assinalou Gonçalo Rocha, para quem a região, com essa nova estratégia do PROVERE, pode “criar um conjunto de infraestruturas e dar oportunidades de investimento com esta abrangência”.

“Isto é um ganho substancial para todos, incluindo os concelhos de baixa densidade”, defendeu.

Em jeito de balanço dos dois anos de mandato à frente da CIM, o autarca admitiu à Lusa que “nem sempre foi fácil chegar a entendimentos com 11 municípios e com realidades tão distintas”.

“Tivemos momentos mais difíceis, mas nos objetivos estratégicos conseguimos encontrar um entendimento”, assinalou, acrescentando: “No essencial conseguimos construir uma estratégia muito interessante para o nosso território que vai até 2030, com a parceria que tivemos com a Universidade Católica, assente na valorização dos produtos endógenos e apostando muito forte na componente turística”.

A partir de dezembro, a presidência da CIM será desempenhada por Inácio Ribeiro (PSD), edil de Felgueiras.

 

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