Cinismo eleitoralista!

Existe por estes dias uma enorme curiosidade na sociedade felgueirense relativamente aos líderes das diferentes listas que se apresentarão a sufrágio nas próximas eleições autárquicas, sendo certo que isso acontece também porque os Felgueirenses estão descontentes com o estado da governação municipal protagonizada nos últimos sete anos pelo PSD, liderados por Inácio Ribeiro, e procuram nas alternativas que venham a surgir uma nova esperança que esta (Nova e Manter) acabou por não cumprir. E não cumprir porque se demonstrou e demonstra incapaz de resolver os problemas infraestruturais do concelho, seja na rede viária (como por exemplo a Nacional 101, a Avenida General Sarmento Pimentel), seja em infraestruturas importantes nas cidades (como por exemplo o Parque da Cidade, o Cemitério Municipal, a reabilitação da Praça Vasco da Gama), nas freguesias (como por exemplo no apoio à concretização do Parque de Lazer de Macieira, ou na conclusão do Parque Desportivo de Torrados), apesar de insistir constantemente, ano após ano, na penalização fiscal sobre os munícipes: Derrama, Taxa Variável do IRS e Imposto Municipal sobre Imóveis acima do valor mínimo que deveria ser o estabelecido… Numa primeira análise o Orçamento Municipal para 2017 é um Orçamento que continua a adiar o concelho na execução!

É verdade que para 2017 o IMI desce de 0,35% para 0,325%! Aplauda-se a descida, mas, critique-se o cinismo eleitoralista do Executivo PSD – que tentará no espaço que falta para as eleições contrariar o sentimento de insatisfação que reina no eleitorado e mesmo no seio do PSD onde são conhecidas divisões profundas) -, no valor percentual da descida, mas também na justificação: “(…) autarquia amiga das famílias e tudo fazemos para as apoiar (…)”. Recorde-se que em 2016 o Dr. Inácio Ribeiro aumentou a taxa de IMI de 0,3% para 0,35%, justificando esse aumento (à volta dos 16,6%) como um ajustamento técnico, o que foi muito criticado pela oposição (principalmente pelo Partido Socialista) mas também pelos felgueirenses! Todos nos recordamos também dos arautos laranja compararem esse aumento ao custo de um café, na tentativa de desvalorização de uma medida que teve impacto negativo nas famílias, impacto na carga fiscal a pagar pelos felgueirenses ao município (dinheiro arrecadado aos contribuintes e que foi também utilizado para atividades de impacto zero na vida dos munícipes – viagens, festas, etc…). Agora será interessante ouvi-los apregoar a descida – certamente aos sete ventos -, afirmando-a como uma iniciativa de enorme impacto no orçamento das famílias, apesar de corresponder, perdoem-me a ironia, a meio café (boomerang)! Mas entre manter ou descer, pelo menos louve-se a intenção de descida, mesmo que não para o valor correto (0,3%). Sintomaticamente esta descida de 0,025% é uma medida claramente eleitoralista, só que os felgueirenses não alinham no ditado “com papas e bolos se enganam…”!…

… Mas que existe uma tentativa de evangelização da opinião pública por parte do Executivo Municipal de que este tem investido e muito no concelho é uma realidade. A entrevista na última edição deste jornal de João Sousa é mais um exemplo! Aliás facto que não deve ser menosprezado é que a Proposta de Orçamento é submetida para discussão pela vereadora Adelina Silva e enviada para reunião de Câmara pelo vice-presidente João Sousa. Ironicamente, personalidades associadas a duas alas/sensibilidades diferentes no PSD, numa fratura cada vez mais evidente no PSD/Felgueiras! Uma das curiosidades que faltou responder na entrevista marcadamente formal, está relacionada com as intenções futuras de João Sousa, o Político do executivo, e personalidade muito ligado à estrutura do PSD local, onde já assumiu funções de liderança na JSD e na Concelhia do PSD/Felgueiras aquando da eleição de Inácio Ribeiro em 2009. Na entrevista ficaram por clarificar muitos aspectos entre os quais as ambições do atual vice-presidente da autarquia e quem são os seus aliados, num momento em que é necessário preparar nas hostes laranja a sucessão de Inácio Ribeiro, seja qual for o resultado eleitoral!