Codiv-19: Vizela receia que algumas empresas não consigam retomar após ‘lay-off’

Segundo Vítor Hugo Salgado, as análises vão começar a ser efetuadas na sexta-feira e prosseguirão na segunda-feira, a cargo de um laboratório contratado pelo município | FOTO; ARMINDO MENDES

O presidente da Câmara de Vizela, Vítor Hugo Salgado, disse hoje à Lusa recear que algumas empresas industriais do concelho atualmente em ‘lay-off’ não consigam retomar a atividade, acabando por enviar para o desemprego centenas de pessoas.

 

Segundo o autarca, os setores mais afetados pela situação atual são o têxtil e o calçado, que predominam em Vizela, nos quais, frisou, já havia dificuldades anteriores à pandemia de condiv-19.

Dizendo haver já situações de insolvência naquele concelho do distrito de Braga, Vítor Hugo Salgado acentuou que tem sido “muito difícil ou até impossível” às empresas em dificuldades aceder às linhas de financiamento anunciadas pelo Governo, devido às fragilidades dos indicadores económicos que apresentam.

Algumas, disse, nem sequer conseguiram aceder ao mecanismo de ‘lay-off’.

O autarca esteve hoje reunido com cerca de três dezenas de industriais, representantes da Associação Comercial e Industrial de Vizela e um elemento do IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação) que apresentou os apoios disponibilizados pelo Governo, nomeadamente para a reconversão das suas atividades.

Na reunião, outras empresas em melhores condições financeiras reiteraram ao presidente da câmara o receio de se endividarem se recorrerem às linhas de financiamento junto da banca, acentuando que a necessidade atual é de liquidez.

Para o autarca, muitas dessas empresas precisam de apoios a fundo perdido para poderem ultrapassar as dificuldades atuais, defendendo que, “mais cedo ou mais tarde, o Estado vai ter de meter dinheiro nas empresas”.

À Lusa, o presidente da câmara lembrou que os setores têxtil, em especial o vestuário, e do calçado predominam em Vizela, constituindo os seus maiores empregadores.

Se as empresas não forem capazes de ultrapassar estas dificuldades, admitiu Vítor Hugo Salgado, haverá um impacto negativo para o concelho ao nível do desemprego, com consequências nos restantes setores de atividade, nomeadamente o pequeno comércio e serviços.

Portugal contabiliza 948 mortos associados à covid-19 em 24.322 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado hoje.

O país vai terminar no sábado, 02 de maio, o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o Governo deverá anunciar na quinta-feira as medidas para continuar a combater a pandemia.

APM//LIL

Lusa/fim