Colocada no Mosteiro de Pombeiro réplica de fonte setecentista com 11 metros

A minúcia do trabalho em cantaria, realizado em granito, de forma artesanal, obrigou, a cuidados especiais também no transporte dos vários módulos da peça e na montagem

FOTO: Armindo Mendes

Uma réplica da fonte setecentista do Mosteiro de Pombeiro, com cerca de 11 metros de altura, está a ser implantada junto aos claustros do monumento, reconstituindo o cenário de há 300 anos.

“Recorremos a um levantamento muito minucioso, com o apoio de um arqueólogo. Em Alpendurada, conseguimos uma equipa de pedreiros que fez esta obra notável”, explicou João Basto, técnico da Câmara de Felgueiras.

Em declarações à Lusa, vincou que se trata de uma “reprodução fiel da peça original”, de estilo maneirista.

FOTO: José Coelho/LUSA
FOTO: José Coelho/LUSA

A minúcia do trabalho em cantaria, realizado em granito, de forma artesanal, obrigou, sublinhou, a cuidados especiais também no transporte dos vários módulos da peça e na montagem.

A base da peça é um tanque com 8,2 metros diâmetro. A primeira taça da fonte pesa mais de sete toneladas, tem 3,3 metros diâmetro e foi montada a quatro metros de altura.

A segunda taça tem 2,12 metros de diâmetro.

No chafariz em granito da região predomina uma decoração abundante, com motivos vegetalistas.

Antes da montagem, foi feito um trabalho arqueológico e só depois é que se avançou para a colocação das tubagens. No decurso das fundações, explicou o técnico ouvido pela Lusa, foram encontradas as fundações das fachadas dos claustros renascentista e maneirista.

O fontanário original foi mandado erigir em 1702, pelos beneditinos e permaneceu no mosteiro até 1896.

Após a extinção das ordens religiosas, há registo de várias localizações da peça original. Atualmente, encontra-se nos jardins da Quinta da Boavista, por ter sido adquirida pelo Conde de Castelo de Paiva.

Fonte Pombeiro 3

O presidente da Câmara de Felgueiras, Inácio Ribeiro, explicou à Lusa que se tentou recolocar a peça no local original, em Pombeiro, mas não foi possível o acordo dos proprietários.

Sobre o trabalho que está a ser ultimado, Inácio Ribeiro avançou que se pretende mostrar aos visitantes “um achado imponente do ponto de vista arquitetónico e religioso”, mas também “a memória viva do mosteiro”.

Chamando à atenção para os trabalhos de recuperação do mosteiro, que decorrem há vários anos, em diferentes partes do edificado, o presidente da Câmara de Felgueiras assinalou que as melhorias “reforçam o carácter identitário do monumento”.

Mas também, prosseguiu, “o carácter singular de Felgueiras, com os seus monumentos, e dos felgueirenses, como fundadores da identidade, porque o Mosteiro de Pombeiro remonta às raízes da fundação”.

FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA
FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA

A intervenção na fonte, quase concluída, está orçada em cerca de 190.000 euros.

Além, da colocação da réplica da fonte monumental, decorrem os trabalhos de restauro do órgão de tubos da igreja, do século XVIII, em talha dourada, inativo há 200 anos, uma empreitada da Rota do Românico orçada em cerca de 255.000 euros.

A recuperação dos jardins dos claustros constituirá a próxima fase dos trabalhos naquele monumento classificado, um dos 58 imóveis que compõem a Rota do Românico do Tâmega e Sousa.

APM // JGJ

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