Confiança

Ainda a propósito da novela mexicana que alguns teimaram em criar à volta da Escola Profissional de Felgueiras (EPF), convém relembrar os menos atentos e aqueles que apenas gostam de relatar pela metade os factos – normalmente os que mais convêm – que o alarmismo criado pelo PS à volta da EPF foi, de facto e objetivamente, unicamente com propósito político, de defesa de interesses pessoais próprios, familiares ou de amizades. Quem sabe para pagar favores passados.

Sabendo o que já se sabe sobre o ponto de situação do processo que opõe a EPF e o seu sócio maioritário, o Município, à ex-diretora e sócia minoritária (1%), Dra. Paula Dantas, na última Assembleia Municipal, o presidente da autarquia, Dr. Inácio Ribeiro, esclareceu e espantou muitos dos membros da Assembleia, incluindo os do grupo socialista, com a apresentação de documentos e relatando factos que, comprovando-se, explicam muito do que por lá se passava.

Alegadamente a ex-diretora, Dra. Paula Dantas, depois de uma reunião da gerência em que fica decidido e lavrado em ata pela própria, que a renovação do contrato de trabalho com o ex-diretor pedagógico seria por um período de um ano, a mesma celebra contrato com o referido diretor pedagógico por três anos (!!) contrariando deliberadamente e intencionalmente o acordado, uma vez que o executivo não pretendia que o contrato se prolongasse para lá do mandato para que não se condicionasse quem ganhasse as eleições. Para além disso, foram detetados salários incompreensíveis entre colaboradores. Existe um, que é o terceiro maior vencimento da EPF, professor com as habilitações literárias do 12º ano, cujo beneficiário é o próprio irmão da ex-diretora, que ganha mais que professores licenciados. Isto para não falar nos contratos de trabalho celebrados entre a própria ex-diretora em representação da EPF e ela própria, em que define o que iria ganhar. E também o alegado contrato de avença celebrado com o ex-diretor pedagógico no valor de dois mil e quinhentos euros mais IVA mensais, quando o mesmo é professor do ministério da educação e solicitou autorização para dispensa de cinco horas para a EPF. Dois mil e quinhentos euros por cinco horas de trabalho mensal não está mal. Mas… o referido contrato de avença refere que as horas a prestar à EPF são trinta e cinco horas semanais. Alegadamente o ex-diretor pedagógico conseguia estar em dois lados ao mesmo tempo, mesmo que dispensado apenas cinco horas. Como referiu o presidente da autarquia, Dr. Inácio Ribeiro na Assembleia Municipal, a única coisa de que se arrepende foi de ter confiado. Confiado numa pessoa que tendo transitados de outras épocas políticas de Felgueiras poderia, seguindo a praxis socialista (mas não só), substituído quando tomou posse em 2009, bem como outras pessoas cujo cargo requer uma confiança política, mas não o fez, preferindo avaliar a competência e depois decidir. Neste caso a única coisa de que se arrepende foi de ter confiado.

Gostaria mais de ver o PS Felgueiras interessado na instituição EPF e em todas as outras, do que na defesa das amizades, interesses pessoais ou familiares, teleguiados por comentários nas redes sociais.